Sobre a mal(dita) polarização da sociedade brasileira

Alexandre de Freitas Barbosa, professor de História Econômica e Economia Brasileira do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP), desconstrói a tão falada polarização da sociedade brasileira: "como não existe simetria de forças, não há polarização; há, sim, expurgo do poder político de um segmento importante da sociedade que inclui também a esquerda não petista e os movimentos sociais em geral"

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Sobre a mal(dita) polarização da sociedade brasileira


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247 - Alexandre de Freitas Barbosa, professor de História Econômica e Economia Brasileira do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP), desconstrói em artigo a tão falada polarização da sociedade brasileira:

A “polarização” virou moda. Todos a pronunciam: a colunista da Folha, o cientista social renomado e a minha filha adolescente na prova do Enem. Dividiu as famílias, sacrossanto pilar da sociabilidade burguesa. Virou senso comum. O país estaria dividido entre “nós e eles” ou vice-versa. A quem interessa o discurso da polarização, de que a sociedade brasileira estaria partida ao meio? Os intelectuais trabalham com conceitos que comportam sentidos. Vivemos de problematizar o real e de buscar a gênese das construções ideológicas a serviço de determinados segmentos sociais, com o intuito de desconstruí-las.

Nas marchas de junho de 2013, criou-se o “mito” da polarização. Não o mito que abre caminho para utopias. O mito aqui mais se assemelha a uma distopia: duas visões extremadas e irracionais que se opõem sem espaço para o diálogo – é o que se diz por aí. De um lado, os camisas verde-amarelas teleguiados pela Veja e a Rede Globo, inconformados com a marcha avassaladora da corrupção. De outro, os vermelhos esquerdistas que se manifestam por meio de sites, blogs e periódicos alternativos, escudados na “narrativa do golpe”.

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Visões mais extremadas como a fornecida pela capa da “Isto É” – n. 2549, de 26 de outubro de 2018 –, concluem de forma taxativa que “o PT criou Bolsonaro”. Segundo essa leitura falseadora, o derretimento do centro político no país deve ser posto na conta das dívidas do partido, incapaz de fazer a sua “autocrítica”. A polarização da sociedade, já dizia o candidato Ciro Gomes, foi obra do partido de Lula.

Será mesmo? Proponho uma leitura alternativa. No meu entender, as classes dominantes se aglomeraram em torno de um polo, expulsando o PT do sistema ao qual ele tão bem (ou tão mal) – dependendo do ponto de vista – havia se aliado.

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