Site quer unir eleitor a candidatos que defendem nova política de drogas no Brasil

"Precisamos de mais políticos que defendam a reforma da política de drogas", diz um trecho do enunciado em que foi lançado o site Drogas é caso de política – coalização de candidaturas pela reforma da política de drogas

Site quer unir eleitor a candidatos que defendem nova política de drogas no Brasil
Site quer unir eleitor a candidatos que defendem nova política de drogas no Brasil


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Rede Brasil Atual - "Precisamos de mais políticos que defendam a reforma da política de drogas. Para isso, queremos mapear todas as candidaturas do país que defendem a reforma em três principais pontos que estão em discussão atualmente: a descriminalização do consumo de drogas, a regulamentação da maconha para fins terapêuticos e a regulamentação da maconha. Queremos conectar eleitores e eleitoras a candidaturas comprometidas com a construção de uma política de drogas justa, humana e eficaz e tornar possível essa mudança nos próximos quatro anos."

É com esse enunciado sem rodeios que foi lançado, na última terça-feira (31), o site Drogas é caso de política – coalização de candidaturas pela reforma da política de drogas.

Elaborado pela Plataforma Brasileira de Política de Drogas (PBPD), o novo site tem o objetivo de mudar a política do tema no Brasil. Para isto, quer influenciar na eleição de mais candidatos que defendem a reforma da atual política de drogas, além de garantir o compromisso dos eleitos para cobrar-lhes ali na frente. A PBPD é uma rede criada em 2015 que reúne atualmente cerca de 50 organizações engajadas na promoção de uma política de drogas fundamentada na redução de danos e na garantia dos direitos humanos.

continua após o anúncio

Responsável pela coordenação institucional da PBPD, Gabriel Elias pondera que o debate sobre o assunto tem avançado na sociedade brasileira nos últimos anos. Cita como exemplo pesquisa Datafolha de 2012 que, na época, indicou que 20% da população era favorável a descriminalização da maconha, índice que subiu para 32% em 2018.

"Isso significa uma mudança muito rápida no posicionamento da população. E isso não tem refletido nas instituições políticas. O que a gente vê no comportamento dos políticos é que há uma polarização, onde os conservadores defendem uma política de drogas mais repressiva, e os progressistas evitam falar sobre a necessidade de mudar a política de drogas. Então temos poucos parlamentares que defendem a mudança da política de drogas e mesmo os que defendem, têm receio em pautar o tema", afirma Gabriel Elias, responsável por acompanhar os projetos de lei que tratam do tema no Congresso Nacional, julgamentos no Supremo Tribunal Federal (STF) e ações dos órgãos responsáveis pelo assunto no governo federal.

continua após o anúncio

Para ele, o receio dos políticos favoráveis à pauta em promover o debate é consequência de um "cálculo eleitoral equivocado", ao acreditarem que o tema faz perder votos. Uma visão que considera equivocada. "Queremos mostrar com esse projeto que defender a reforma da política de drogas no Brasil de hoje representa um ganho eleitoral para os candidatos. Queremos mostrar para os candidatos a importância do tema e, para os eleitores que concordam com o assunto, terem acesso às informações dos candidatos que defendem o tema nestas eleições."

A página web permite ao usuário diversas formas de pesquisar quais são os candidatos defensores dos temas propostos, seja por estado, partido ou cargo eletivo. Nestes primeiros dias após o lançamento do site, em torno de 150 pré-candidatos já se inscreveram na plataforma.

continua após o anúncio

Gabriel Elias explica que, neste primeiro momento, o mapeamento dos candidatos está sendo feito por meio da divulgação de um formulário. Quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberar a lista oficial dos candidatos, em meados de agosto, ele diz que o contato será feito individualmente com cada candidato para divulgar o projeto e estimular a inscrição. "Esse método mais sistemático ainda não começou. Por enquanto tem se espalhado mesmo pelo próprio interesse dos candidatos em se inscrever, e por ficarem sabendo que outro candidato se inscreveu."

Argumentos para o debate

continua após o anúncio

Para subsidiar o debate, a Plataforma Brasileira de Política de Drogas disponibilizou um guia para download, com a intenção de ajudar os candidatos a defenderem nas eleições as pautas propostas. A publicação explica as diferenças entre legalização, descriminalização e despenalização, aborda os diferentes modelos de política de drogas em vigor no mundo e os impactos da proibição das drogas na saúde e na segurança públicas.

"A gente sabe que muitas vezes o candidato se compromete com essa política, mas é muito difícil fazer o debate público, ainda mais num tema que é polêmico como este. Então a gente quer ajudar os candidatos a tomarem essa posição, de forma bem direta, com dados que sustentam os argumentos", explica Gabriel Elias.

continua após o anúncio

O documento, entretanto, também tem sido usado por eleitores interessados no assunto, seja para convencer os candidatos a aderirem à pauta, seja para promover o debate público. "Esse material pode ser usado por qualquer um que se interesse por política de drogas e queira debater nos diversos espaços."

Por que devemos reformar a política de drogas?

continua após o anúncio

Entre os pré-candidatos que já se inscreveram na plataforma, muitos são políticos conhecidos já em pleno mandato, como os deputados federais Paulo Teixeira (PT-SP) e Jean Wyllys (Psol-RJ), o vereador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ), entre outros.

A maioria, por enquanto, são pessoas pouco conhecidas do eleitorado. Ao se registrar, o pré-candidato indica qual dos três temas ele apoia – descriminalização do consumo de drogas, a regulamentação da maconha para fins terapêuticos ou a regulamentação da maconha – e responde o questionamento: por que devemos reformar a política de drogas?

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247