Singer vê Lula como 'carta fora do baralho'
"Apenas a liderança de Lula, à frente de uma estratégia de sobrevivência eleitoral petista, poderia reunir forças para tentar a reativação da economia ainda este ano. Forçado a cuidar da própria imagem, sabe-se lá por quanto tempo, o ex-presidente é carta fora do baralho até o desfecho dos imbróglios que o envolvem", diz o jornalista e cientista político André Singer, que foi porta-voz de Lula em seu primeiro mandato
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247 – Na coluna Jogo emperrado, o jornalista André Singer avalia que a nova etapa da Operação Lava Jato, que mira o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, torna mais difícil um cenário de retomada do crescimento.
"A esperança de que surgisse uma alternativa a partir da substituição de Joaquim Levy por Nelson Barbosa foi desfeita pela nova fase da Lava Jato. Apenas a liderança de Lula, à frente de uma estratégia de sobrevivência eleitoral petista, poderia reunir forças para tentar a reativação da economia ainda este ano. Forçado a cuidar da própria imagem, sabe-se lá por quanto tempo, o ex-presidente é carta fora do baralho até o desfecho dos imbróglios que o envolvem", diz ele.
Ele afirma, ainda, que o fantasma do impeachment continuará assombrando o País. "Em paralelo, o Supremo Tribunal Federal parece ter chegado à conclusão que não tem condição de retirar Cunha da presidência da Câmara. Isso significa que, apesar dos fortes indícios levantados pela Operação Lava Jato contra o parlamentar –agora acrescidos da descoberta de mais cinco contas no exterior–, o provável desfecho envolverá longa luta em plenário", afirma. "Em consequência, o fantasma do impeachment de Dilma Rousseff, principal linha defensiva de Cunha, continuará a ameaçar a democracia. Mesmo que desgastada nas ruas, justamente pela identificação com Cunha, com nítido efeito de esvaziamento sobre as manifestações oposicionistas de dezembro, a sombra do impeachment bloqueará a agenda parlamentar."
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