Sindicato cobra que Folha recontrate jornalista demitido por pressão de Gentili
O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) "repudiam veementemente a perseguição contra o jornalista Diego Bargas, por incitação do humorista Danilo Gentili, e, em seguida, a sua demissão do jornal Folha de S.Paulo" e "defendem liberdade de imprensa"; o sindicato tem cobrado o jornal para que o repórter seja recontratado imediatamente; ao que tudo indica, Bargas foi demitido por crime de opinião, uma vez que o veículo tentou justificar que sua saída se devia ao seu posicionamento político-partidário nas redes sociais
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247 - O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgaram um posicionamento em que "repudiam veementemente a perseguição contra o jornalista Diego Bargas, por incitação do humorista Danilo Gentili, e, em seguida, a sua demissão do jornal Folha de S.Paulo". As entidades também "defendem liberdade de imprensa" no episódio.
O sindicato também tem cobrado a Folha para que o repórter seja recontratado imediatamente. Ao que tudo indica, Bargas foi demitido por crime de opinião, uma vez que o veículo tentou justificar que sua saída se devia ao seu posicionamento político-partidário nas redes sociais. Uma foto de 14 anos atrás do jornalista junto com o ex-presidente Lula tem sido usada como elemento para a demissão.
"Bargas foi desligado do jornal na última sexta-feira (13) por, segundo a Direção de Redação, ter desrespeitado orientação reiterada sobre comportamento nas redes sociais", comunicou a Folha em uma reportagem nesta segunda-feira 16.
Diego Bargas relatou em seu Facebook no fim de semana ter feito uma entrevista com Danilo Gentili sobre o filme "Como se tornar o pior aluno da escola" - escrito, produzido e atuado pelo humorista. Disse ter feito "perguntas espinhosas" a Gentili e, ao final da entrevista, ter dito que não havia gostado do filme. O apresentador teria respondido que usaria a crítica do jornalista a favor dele.
A Folha publicou a entrevista e a crítica de Bargas na sexta-feira 13: "Criada por Danilo Gentili, comédia juvenil ri de bullying e pedofilia". Danilo Gentili postou um print da página da reportagem e incentivou seus seguidores a irem atrás do repórter, que na opinião do humorista, não teria feito uma matéria "isenta".
Bargas relatou ter sido vítima de um "banho de ódio", chamado de "militante do PT", cabaço, bichona, autista, otário, merda, lixo social, bixinha, viado, imbecil, militonto e acéfalo em dezenas de mensagens em sua caixa no Facebook. Sobre a Folha, ele relatou: "A confusão com o Gentili me fez perder o emprego. A Folha de S.Paulo me demitiu. Não posso entrar em detalhes sobre isso, mas é tudo muito nebuloso".
Leia o posicionamento do Sindicato e da Fenaj sobre o caso:
Sindicato dos Jornalistas e Fenaj repudiam intimidação e demissão de jornalista, e defendem liberdade de imprensa
Após ser intimidado e perseguido em rede social por incitação do humorista Danilo Gentili, jornalista Diego Bargas é demitido pela Folha de S.Paulo
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiam veementemente a perseguição contra o jornalista Diego Bargas, por incitação do humorista Danilo Gentili, e, em seguida, a sua demissão do jornal Folha de S.Paulo.
A demissão ocorreu poucas horas depois de Gentili, em rede social, ter incitado a perseguição ao jornalista, após a publicação de matéria assinada por Bargas, "Comédia juvenil ri de bullying e pedofilia", sobre filme concebido e estrelado por Gentili. A matéria foi publicada na última sexta-feira (13), na Folha de S.Paulo. Após a publicação, no início da tarde, o humorista reagiu incitando o ódio na internet e estimulando seus mais de 15 milhões de seguidores no Twitter a perseguir Bargas. O jornalista passou a sofrer ofensas e xingamentos em todos os seus perfis em rede social.
É mais um grave caso de perseguição e intimidação a jornalistas, o sexto ocorrido em São Paulo nos últimos meses, e que mostra uma escalada contra a liberdade de expressão e de imprensa em nosso país. O texto de Bargas é uma reportagem correta, que analisa o filme e reproduz pontos de vista de Gentili e do diretor Fabrício Bittar expressos em entrevista ao jornalista. Gentili, porém, decide massacrar o jornalista em rede social, mostrando sua intolerância à atividade jornalística, e manipular o episódio para tentar melhorar o resultado comercial de seu produto.
A situação agravou-se, pois, poucas horas depois de Gentili ter iniciado sua ação intimidatória, o jornalista foi comunicado, no início da noite de sexta-feira, de sua demissão pela chefia. A Folha de S.Paulo, ao tomar tal atitude, demonstra não ter o mínimo compromisso com princípios como a liberdade de imprensa, de expressão e com a pluralidade, dos quais a empresa se reclama em suas campanhas de marketing.
O Sindicato se coloca à disposição do jornalista e, junto com a Fenaj, continuará defendendo os profissionais de todo e qualquer tipo de assédio, intimidação ou perseguição, e lutando pela liberdade de imprensa e pelo respeito às condições fundamentais para o exercício de um jornalismo de qualidade.
São Paulo, 15 de outubro de 2017.
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo - SJSP
Federação Nacional dos Jornalistas - Fenaj
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