Será que Aécio consegue voltar a ser “civilizado”?
Jornalista Fernando Brito, do Tijolaço, acha "pouco provável" que, depois de ter se exibido por meses a fio como “coxinha furioso”, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) vai conseguir apresentar-se como “conservador cordato”, neto de Tancredo; pesquisas levaram o tucano a posar de estadista esse ano, após liderar uma oposição carbonária em 2015
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
Diz o Estadão que Aécio Neves planeja abandonar a postura de histeria coxinha e se mostrar como alguém “com propostas” para o país.
A razão, ora, é obvia: olho nos votos.
A mudança de atuação do tucano, o maior representante da oposição no Legislativo, decorre de uma série de avaliações feitas por aliados e assessores próximos. Desde o segundo semestre do ano passado, pesquisas mostraram uma queda das intenções de voto em Aécio em simulações de corrida presidencial e ainda um aumento de rejeição.
Levantamentos qualitativos internos identificaram Aécio como um senador que não propunha saídas para superar a crise. As sondagens também mostraram uma corrosão na imagem do PSDB pelo apoio às pautas-bomba. Uma delas foi o aval maciço da legenda à tentativa de derrubar, em setembro, o fator previdenciário, regra de aposentadoria instituída no governo Fernando Henrique, em 1999, para diminuir o déficit da Previdência Social.
O curioso é que você só fica sabendo por conta das “internas” do tucanato, pois nos meios de comunicação a impressão que se tem é que “Lula morreu” e Aécio apenas “cumpre tabela” para ganhar o título de Presidente da República.
A questão importante, porém, é outra: será que, depois de ter se exibido por meses a fio como “coxinha furioso”, Aécio vai conseguir apresentar-se como “conservador cordato”, neto de Tancredo?
Pouco provável.
Essa imagem de “coxinha”, colada nele antes mesmo de trocarem o velho termo playboy por este neologismo, ficará grudada, ao que parece, até o fim dos tempos.
Até os satélites tucanos do PPS, DEM e o inefável Paulinho da Força fazem-lhe críticas na mesma matéria por essa reviravolta anunciada. Mas estes, na hora H, dificilmente romperão a simbiose em que vivem com o PSDB.
Mas há a horda furiosa que ele ajudou a levantar, não lhe vai dar trégua.
Os três patetas do Antagonista, por exemplo, já abriram fogo: “Ele (Aécio)perdeu votos porque não se empenhou o bastante no afastamento de Dilma Rousseff. E o eleitorado desconfia que ele não tenha se empenhado o bastante por interesse próprio ou por temor da Lava Jato.”.
Parece claro, a esta altura, que teremos um (ou dois) candidatos de extrema-direita nas próximas eleições: Bolsonaro e, talvez, outro com menos odor de passado.
Fragrância que, claro, não faltará à ex-ex-novidade Marina Silva, que será candidata diversionista até o final dos tempos.
De qualquer forma, saudemos a anunciada volta de Aécio Neves ao clima de civilidade política que ele trabalhou o quanto pôde para destruir no Brasil.
Nem que seja para ver, obrigado, que isso devora até ele mesmo.
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247