Sem-teto, os novos párias da civilização

Escritor veterano e filólogo, o espanhol Juan Arias identifica um novo momento dramático nos interstícios da civilização ocidental; ele acusa o golpe de vivenciar o drama do incêndio seguido de desabamento em um edifício abandonado pelo poder público na maior cidade da América Latina e observa uma triste inflexão civilizatória; "se é dolorosa a existência dessas caravanas de excluídos, fruto da cobiça de quem tem de sobra e das políticas do capitalismo que cria exclusão, não é menos grave transformá-los em um número, um voto nas urnas, comprado com as migalhas de vãs esperanças, diz o escritor

São Paulo 01/05/2018 Incendio em prédio de 24 andares no Largo do paissandu em São Paulo. Foto Paulo Pinto/FotosPublicas
São Paulo 01/05/2018 Incendio em prédio de 24 andares no Largo do paissandu em São Paulo. Foto Paulo Pinto/FotosPublicas (Foto: Gustavo Conde)


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Juan Arias, El PaísA tragédia anunciada do edifício Wilton Paes de Almeida, de 24 andares, ocupado por mais de uma centena de famílias e que caiu calcinado pelo fogo, no centro da rica São Paulo, oferece várias leituras e simbolismos. O desastre, que pode ser o primeiro de muitos, obriga o Estado e a sociedade a uma reflexão urgente, já que no Brasil 20 milhões de pessoas padecem de falta de moradia. Habitam ainda edifícios ou barracos desumanos, uma afronta à Constituição, que sanciona em seu artigo VI o direito de todos a viver sob um teto digno.

Calcula-se que no centro de São Paulo, a maior metrópole da América Latina, a mais rica e com maior número de milionários, quatro mil famílias vivem em 70 edifícios ocupados. No Brasil, moram em condições inseguras e indignas 1,2 milhão de pessoas. É duro constatar que esses milhares de brasileiros condenados a viver em condições às vezes pior do que a que os criadores de gado dão a seus animais são ainda considerados pela sociedade de consumo “vagabundos”, que se negam a trabalhar e que seriam cúmplices dos traficantes de drogas. Não. Esses milhões de famílias, sem um lar decente, fazem parte da caravana dos excluídos que preferiríamos não ver. Fazem parte da massa dos exilados, dos refugiados de guerras, dos novos párias da sociedade do bem-estar. São os judeus do século XXI.

Leia o artigo completo de Juan Arias, aqui, no site do El País.

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