Sakamoto: problema de Temer não é a falta de popularidade, mas de legitimidade
O jornalista Leonardo Sakamoto criticou a declaração de Michel Temer nessa sexta-feira, 8, de que "usou sua impopularidade para fazer as reformas necessárias"; "Temer chama de 'reformas necessárias' mudanças apoiadas pelo mercado financeiro, grandes empresas e poder econômico. Mas que não foram suficientemente debatidas com o restante da sociedade e, de acordo com as pesquisas de opinião, são rechaçadas por uma parcela considerável dela", diz Sakamoto. "Ele diz que é corajoso por estar aplicando um remédio amargo que ninguém mais aplicaria. Mas, na verdade, é antidemocrático porque o projeto de país trazido por suas reformas não foi validado pelas urnas e, portanto, não tem legitimidade"
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247 - O jornalista Leonardo Sakamoto criticou a declaração de Michel Temer nessa sexta-feira, 8, de que "usou sua impopularidade para fazer as reformas necessárias".
"Temer chama de 'reformas necessárias' mudanças apoiadas pelo mercado financeiro, grandes empresas e poder econômico. Mas que não foram suficientemente debatidas com o restante da sociedade e, de acordo com as pesquisas de opinião, são rechaçadas por uma parcela considerável dela. Ele diz que é corajoso por estar aplicando um remédio amargo que ninguém mais aplicaria. Mas, na verdade, é antidemocrático porque o projeto de país trazido por suas reformas não foi validado pelas urnas e, portanto, não tem legitimidade", diz Sakamoto.
Para o colunista do UOL, o país também precisa de uma Reforma Tributária com justiça social, com a taxação de dividendos recebidos pelos mais ricos e a implementação de alíquotas maiores no Imposto de Renda para quem ganha muito. "Mas isso ele faz questão de esquecer, ainda mais em um discurso para empresários. Afinal de contas, o combinado é que o custo da crise seja pago com a dignidade dos trabalhadores, jogando a zica para longe da elite", afirmou.
Apesar da declaração, Temer tem razão, diz Sakamoto. "Apenas um governo que não foi eleito e que não deve ser reeleito e, por isso, não está preso à viabilidade eleitoral, é capaz de aprovar uma quantidade grande de propostas e projetos que retiram direitos dos trabalhadores e de grupos mais vulneráveis sem a devida discussão com a sociedade. E em um espaço de tempo tão curto", afirmou o jornalista.
Leia o texto na íntegra no Blog do Sakamoto.
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