Sakamoto: Para Temer, Reforma Trabalhista foi “presente de Natal”. Para quem?
Após lembrar que há um ano, Michel Temer disse que ''o governo acaba de ganhar um belíssimo presente de Natal'', ao tratar da proposta de Reforma Trabalhista, o jornalista Leonardo Sakamoto reforça que "o presente não era a reforma em si, mas o fôlego que seu grupo político havia ganho para continuar ocupando o Palácio do Planalto por causa da defesa da proposta, que viria a ser aprovada nos meses seguintes"; "Enquanto isso, muitos que sabem que terão a vida precarizada pela mudanças na Reforma Trabalhista estão se prevenindo porque sabem que o emprego pode virar pó", diz
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247 - Após lembrar que há um ano, Michel Temer disse que ''o governo acaba de ganhar um belíssimo presente de Natal'', ao tratar da proposta de Reforma Trabalhista, o jornalista Leonardo Sakamoto diz que "o presente não era a reforma em si, mas o fôlego que seu grupo político havia ganho para continuar ocupando o Palácio do Planalto por causa da defesa da proposta, que viria a ser aprovada nos meses seguintes".
"Fôlego dado por parte do empresariado que o ajudou a chegar lá com a condição de que reduzisse a proteção ao trabalhador e garantisse que a fatura da crise econômica não pesasse nas costas do capital. A partir de meia dúzia de propostas encaminhadas pelo Palácio do Planalto, a Reforma Trabalhista ganhou corpo na Câmara dos Deputados com dezenas de acréscimos", afirma o blogueiro.
"Grosso modo, o texto final foi inspirado por demandas apresentadas por confederações empresariais e grandes empresas e por posições derrotadas em julgamentos no Tribunal Superior do Trabalho – posições que significaram perdas a empresários e ganhos a trabalhadores. Ou seja, foi uma forma rápida de dar um cavalo de pau na relação entre patrões e empregados", acrescenta.
A Reforma Trabalhista foi aprovada, mas os "dividendos recebidos seguem sem ser taxados, fazendo com que a classe trabalhadora pague mais imposto através de sua renda assalariada e do consumo do que quem é proprietário ou sócio de grandes empresas", continua Sakamoto. "Depois, em novembro deste ano, Temer afirmou que ''tudo indica que teremos um Natal melhor, com mesa mais farta e mais presentes para a família'. Novamente, a pergunta é 'quem'. Quem estará com a mesa farta neste Natal? Em dezembro, as lojas de alto luxo de Rio, São Paulo e Brasília continuaram apinhadas de gente como sempre".
"Enquanto isso, muitos que sabem que terão a vida precarizada pela mudanças na Reforma Trabalhista estão se prevenindo porque sabem que o emprego pode virar pó", diz. "Ao empurrar os professores para estarem entre os primeiros na guilhotina das mudanças trazidas por essas reformas, decapitamos também a esperança. Uma esperança que não vê, não fala e não ouve é, afinal de contas, o legado de Natal deste governo".
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