Safatle: golpe de Temer daria até um romance
Filósofo Vladimir Saflatle afirmou nesta sexta-feira, 10, que o golpe parlamentar e suas consequências nefastas para o Brasil são subsídios para um romance; "Em uma república em algum lugar na América Latina, o vice-presidente mobiliza toda a casta política para derrubar a presidente que o elegeu e 'estancar a sangria' produzida por denúncias de corrupção a envolver toda a classe, além do próprio personagem em questão. Depois do golpe, a sangria no entanto não para totalmente. A máquina colocada em funcionamento no Poder Judiciário continua, mesmo que aos trancos e barrancos", afirma
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247 - O filósofo e professor de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) Vladimir Saflatle afirmou nesta sexta-feira, 10, que o golpe parlamentar e suas consequências nefastas para o Brasil são subsídios para um romance.
"Em uma república em algum lugar na América Latina, o vice-presidente mobiliza toda a casta política para derrubar a presidente que o elegeu e 'estancar a sangria' produzida por denúncias de corrupção a envolver toda a classe, além do próprio personagem em questão. Depois do golpe, a sangria no entanto não para totalmente. A máquina colocada em funcionamento no Poder Judiciário continua, mesmo que aos trancos e barrancos", sugere.
Safatle discorre seu "romance" narrando a morte do ministro Teori Zavascki, a indicação de Alexandre de Moraes como substituto, com todo o seu curriculo, e a explosão da violência no Espírito Santo, que ocorre enquanto Moraes cabala votos no Senado para avalizar sua indicação.
"Não, pensando bem, esse enredo não daria um bom romance. Muito óbvio, muito primário. Ninguém iria acreditar ser possível algo assim nos dias de hoje. Certamente, se isto ocorresse atualmente, haveria grandes manifestações nas ruas contra a natureza despudorada de tal esquema. Haveria uma mobilização da opinião pública contra a desagregação das instituições da República. Não, como romance o enredo definitivamente não funcionaria. Bem, talvez como comédia ele desse certo", afirma.
"Em comédia, há sempre algo da ordem do vale-tudo, algo da ordem da ampliação caricatural até o absurdo, o que libera a imaginação para ganhar asas e pensar até mesmo o impensável. Ou seja, pensar o Brasil atual", acrescenta.
Leia na íntegra o artigo de Vladimir Safatle.
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