Reinaldo e Genoino: de que lado você está?
Em nota, o ex-presidente do PT, que mantém um padrão de vida monástico, se diz "preso político", após ser o primeiro condenado escolhido por Joaquim Barbosa para cumprir sua sentença como "corrupto"; em resposta, Reinaldo Azevedo, que agiu durante meses para emparedar ministros do STF, afirma que ele é apenas um "político preso"; será que é tão difícil perceber onde está o certo e o errado no Brasil de hoje?
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
247 - O dia 15 de novembro de 2013 entra para a história. No feriado da proclamação da República, Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, expediu a primeira ordem de prisão contra José Genoino, um homem que lutou contra a ditadura, exerceu diversos mandatos parlamentares e foi condenado como "corrupto" porque, na condição de presidente do PT, avalizou empréstimos tomados pelo partido junto aos bancos Rural e BMG – empréstimos que foram considerados regulares pelo Banco Central e, inclusive, quitados. Ainda que por trás desses empréstimos houvesse um grande esquema, que provas há do envolvimento do avalista José Genoino? Nenhuma. É bom que se diga: NENHUMA. José Genoino foi condenado à prisão apenas porque cumpriu com uma obrigação exigida pelo estatuto do partido que ele próprio presidia.
Por esta razão, Genoino tem a mais absoluta razão quando se declara, com todas as letras, "preso político". No entanto, no Brasil de hoje, um personagem vil e – por que não dizer – movido por inconfessáveis interesses políticos se vê no direito de responder e afirmar que Genoino é apenas um "político preso". Este personagem é Reinaldo Azevedo – uma das mais abjetas criaturas já produzidas pela imprensa brasileira.
São tempos estranhos, que exigem uma tomada de posição. Nunca foi tão simples enxergar o certo e o errado. O certo está na cadeia. O errado tripudia.
Mas, afinal, de que lado você está?
Abaixo, o texto de Reinaldo:
Reações ridículas 1 – Genoino se diz “preso político”. Não! Ele é só um político preso
Costumo antever a conversa dessa turma, não é? Sei como eles pensam. Leiam a nota emitida por José Genoino (em vermelho):
*
Com indignação, cumpro as decisões do STF e reitero que sou inocente, não tendo praticado nenhum crime. Fui condenado por que estava exercendo a Presidência do PT. Do que me acusam? Não existem provas. O empréstimo que avalizei foi registrado e quitado.
Fui condenado previamente em uma operação midiática inédita na história do Brasil. E me julgaram em um processo marcado por injustiças e desrespeito às regras do Estado Democrático de Direito.
Por tudo isso, considero-me preso político.
Aonde for e quando for, defenderei minha trajetória de luta permanente por um Brasil mais justo, democrático e soberano.
José Genoino
Comento
Nunca um só homem disse tantas tolices em nota tão curta. Começo pelo óbvio, não? Até porque tratei do assunto nesta quinta no debate na VEJA.com e, nesta sexta, em post neste blog. Não! Genoino não é um preso político, o que só existe em ditaduras, muitas delas apoiadas pelo PT. Genoino será outra coisa: UM POLÍTICO PRESO, uma ocorrência de regimes democráticos.
O tal empréstimo, ficou mais do que demonstrado, era uma fraude — não se diz que é “coisa para inglês ver” porque os ingleses não são bobos, não é? Era mesmo uma armação para enganar a brasileirada. Mas deu errado. Os brasucas também não quiserem ser feitos de otários.
É BOM LEMBRAR: o próprio ministro Ricardo Lewandowski fez troça das operações do banco Rural, destacando sua falta de seriedade. É BOM LEMBRAR MAIS AINDA: até o ministro Dias Toffoli, que divergiu de Joaquim Barbosa em muitos votos, condenou Genoino por corrupção ativa. Motivo principal? Os empréstimos de mentirinha, que teve a sua chancela, a sua assinatura.
“Preso político”??? As democracias não têm presos políticos, excetuando-se, talvez, os terroristas — se é que se pode chamar de “política” o que fazem. Concordo com os ministros do Supremo que viram no mensalão uma tentativa de golpe contra a democracia, mas terrorismo não foi…
Quanto à trajetória, pergunto: a qual Genoino ele se refere? Aquele que militou no Parlamento, vá lá, pode se enquadrar no padrão a que ele aludiu — ainda que o intento último do PT seja mesmo liquidar os adversários. O do passado mais remoto, aí não! O militante que aderiu à guerrilha do Araguaia não era “justo” porque ainda estão para ser demonstradas a justiça e a justeza do socialismo; não era “democrático” porque o socialismo, em essência, é a negação da democracia, que só existe em regimes capitalistas; não queria a “soberania” do país porque a natureza do socialismo é o chamado internacionalismo.
Assim, a nota de Genoino falseia o presente, falseia o passado recente e falseia a história.
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247