Rei do camarote, de Veja, foi indiciado por agressão

Personagem que estampou a capa da revista declarando gastar R$ 50 mil por noite, empresário Alexander Augusto de Almeida foi citado duas vezes na polícia como suspeito de agressão, uma contra a filha adolescente e outra contra sua então mulher, em 2008 e 2011; culto à ostentação foi a marca de uma das reportagens mais polêmicas já publicadas pela Editora Abril; jornalista Paulo Nogueira decretou a morte da Vejinha após a edição dedicada a alguém tão bizarro

Personagem que estampou a capa da revista declarando gastar R$ 50 mil por noite, empresário Alexander Augusto de Almeida foi citado duas vezes na polícia como suspeito de agressão, uma contra a filha adolescente e outra contra sua então mulher, em 2008 e 2011; culto à ostentação foi a marca de uma das reportagens mais polêmicas já publicadas pela Editora Abril; jornalista Paulo Nogueira decretou a morte da Vejinha após a edição dedicada a alguém tão bizarro
Personagem que estampou a capa da revista declarando gastar R$ 50 mil por noite, empresário Alexander Augusto de Almeida foi citado duas vezes na polícia como suspeito de agressão, uma contra a filha adolescente e outra contra sua então mulher, em 2008 e 2011; culto à ostentação foi a marca de uma das reportagens mais polêmicas já publicadas pela Editora Abril; jornalista Paulo Nogueira decretou a morte da Vejinha após a edição dedicada a alguém tão bizarro (Foto: Leonardo Attuch)


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247 - A capa de Veja SP, dedicada ao empresário Alexander Augusto de Almeida, apresentado como "rei do camarote", entrará para a história como um dos grandes micos da imprensa brasileira. Almeida simbolizou o culto à ostentação, declarando gastar R$ 50 mil por noite. No entanto, nas redes sociais, ele foi apontado como farsante, o que fez a revista reiterar o teor de sua reportagem.

Farsa ou não, uma reportagem do portal G1, publicada nesta terça-feira, revela a face real do personagem. O repórter Kleber Tomaz levantou sua ficha policial e descobriu que ele já foi indiciado duas vezes por agressão, uma contra a filha adolescente e outra contra sua então mulher, de acordo com boletins de ocorrência registrados na 5ª Delegacia de Defesa da Mulher, na Zona Leste da capital paulista, em 2008 e 2011 (leia mais aqui).

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vídeo no YouTube em que o empresário elenca os 10 "mandamentos" de como se dar bem no camarote das baladas teve mais de 5 milhões de visualizações. Assista abaixo:


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Leia ainda texto do Diário do Centro do Mundo, sobre a "morte" da Vejinha, após a capa dedicada a um personagem tão bizarro:

A Veja SP morreu, tecnicamente, com o ‘sultão dos camarotes’

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Alexander – imagino que seja um nome fantasia derivado do prosaico Alexandre – dá seus conselhos a quem quer, como ele, ser “alguém especial” nas baladas.

Todos os conselhos cabem num só: torre seu dinheiro em camarotes nas baladas com espertalhões – homens e mulheres – que vão largar você assim que sua conta bancária inevitavelmente entrar em colapso e você não puder mais pagar o champanhe que eles tomam rindo de você e de sua monumental burrice.

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Do ponto de vista jornalístico, raras vezes se viu algo que reflita tão bem a essência de uma publicação e de seus leitores.

A Veja SP se dedica, com obtusa regularidade, a promover a frivolidade consumista num mundo de faz de conta em que todos riem como Alexander e depois se entopem de antidepressivos.

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A Veja SP não faz pensar, não provoca você a sair de sua vidinha medíocre em que o que vale são as aparências, não faz nada digno da palavra ‘jornalismo’.

Mesmo assim, apenas para lembrar a mamata estatal dada às empresas jornalísticas com dinheiro público, a Veja SP é impressa com papel isento de imposto.

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Fui um dos primeiros editores da Veja SP, em meados da década de 1980, aos 26 ou 27 anos. Eu era na época subeditor de Economia da Veja, mas a direção da revista achava que já era tempo de eu ser promovido a editor.

Apareceu a oportunidade na Veja SP quando a editora Selma Santa Cruz deixou a revista para se juntar a seu marido, Sérgio Mota Melo, num empreendimento jornalístico, a TV1.

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Tentei fazer “jornalismo sério”. Uma de minhas primeiras capas mostrava o caso dramático de dois bebês que tinham sido trocados na maternidade.

Naquela semana, desci o elevador da Abril com Roberto Civita. Sempre amável, sempre charmoso, sempre sorridente, ele me disse que não era exatamente aquele tipo de reportagem que ele queria na Vejinha, como era e é chamada. Eu não estava naquele cargo para descobrir as melhores histórias humanas de São Paulo, mas para encontrar os melhores cheesebúrgueres e as hostesses mais gostosas dos bares chiques paulistanos.

Me ajustei ao mundo da fantasia. Mas, em meio a tantas tolices que editei, lembro com satisfação capas como uma que trazia a escalada de um jovem editor chamado Luiz Schwarcz, que começava sua Companhia das Letras.

Fiz, pessoalmente, este texto. Também fiz, eu mesmo, coisas como o perfil de um jovem jornalista que se tornara cultuado entre os jovens paulistanos no comando da Folha Ilustrada, Matinas Suzuki.

Pouco mais de um ano depois, voltei à área de Economia, da qual saíra, para ser editor executivo da Exame. Nela vivi os melhores anos de minha carreira – só igualados ou superados agora pela experiência eletrizante que é o DCM.

Dentro das limitações que um editor tem na mídia corporativa, em que a voz do dono é a que realmente vale, fiz o que pude na Vejinha para ir além do cardápio que agora foi dar em Alexander de Almeida.

No terreno das curiosidades, não pude deixar de notar a semelhança física entre ele e Kassab. E então fui remetido mentalmente a uma capa da Vejinha com Kassab às vésperas das eleições municipais de 2012.

O texto defendia a administração Kassab, àquela altura extremamente impopular entre os paulistanos. “Estamos sendo muito duros com ele?” – esta era a pergunta. Kassab não conseguiu cuidar sequer das árvores de São Paulo, destruídas a cada chuva mais forte, não conseguir resolver nem o problema do excesso de pernilongos na cidade, e mesmo assim a Vejinha acusava seus leitores de serem rigorosos com o prefeito.

Como toda a mídia impressa, a Vejinha está morrendo. Cada vez menos pessoas lêem revistas na era digital. E indicações de bares, restaurantes, teatro e cinema – o maior pilar da revista – você encontra de graça, em tempo real, na internet.

Mas ela poderia morrer sem a humilhação de ver seu logotipo associado a um decálogo como o de Alexander de Almeida.

 

 

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