Priolli alerta para baixa diversidade da mídia

"A mídia independente e plural é condição indispensável para um sistema político democrático. Afinal, se os conteúdos que circulam através dos meios de comunicação influenciam a formação da opinião pública, o que esperar se não há diversidade de informações e de pontos de vista?", questiona o jornalista Gabriel Priolli, em artigo publicado no Nocaute

"A mídia independente e plural é condição indispensável para um sistema político democrático. Afinal, se os conteúdos que circulam através dos meios de comunicação influenciam a formação da opinião pública, o que esperar se não há diversidade de informações e de pontos de vista?", questiona o jornalista Gabriel Priolli, em artigo publicado no Nocaute
"A mídia independente e plural é condição indispensável para um sistema político democrático. Afinal, se os conteúdos que circulam através dos meios de comunicação influenciam a formação da opinião pública, o que esperar se não há diversidade de informações e de pontos de vista?", questiona o jornalista Gabriel Priolli, em artigo publicado no Nocaute (Foto: Leonardo Attuch)


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Por Gabriel Priolli, no Nocaute

Um estudo importante sobre a mídia brasileira foi lançado há poucos dias.

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Como não é laudatório e sim uma avaliação crítica, não foi noticiado pela própria mídia. Circulou somente na blogosfera e nas redes sociais.

O estudo é o MOM, ou Monitoramento de Propriedade na Mídia, na sigla em inglês.

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É um projeto internacional da organização Repórteres Sem Fronteira, que pretende alertar sobre os riscos que a concentração da propriedade representa para o plurarismo da mídia.

O MOM já foi ou está sendo realizado em treze países em desenvolvimento, sempre em parceria com organizações locais. No Brasil, o parceiro é o coletivo Intervozes.

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O estudo não traz propriamente novidades sobre o nosso cenário de mídia, mas atualiza as informações e sublinha a gravidade da situação.

Foram analisados 50 veículos em quatro segmentos: 11 redes de TV aberta ou por assinatura; 12 redes de rádio; 17 veículos de mídia impressa e 10 veículos online.

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Os 50 veículos analisados pertencem a 26 grupos ou empresas de comunicação.

Cinco deles concentram mais da metade dos veículos.

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Todos os grupos controlam mais de um tipo de veículo e 16 possuem também outros negócios no setor, como produção cinematográfica, edição de livros, agência de publicidade ou programação de TV a cabo.

21 dos grupos ou seus acionistas possuem atividades em outros setores econômicos, como o financeiro, o imobiliário, o agropecuário, e os de educação, energia, transportes, infraestrutura e saúde.

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Há também proprietários que são políticos ou lideranças religiosas.

Nove veículos pertencem a religiosos e pelos menos outros seis, não definidos como religiosos, tem esse conteúdo em suas páginas ou grades de programação.

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O estudo diz que “a mídia brasileira de maior audiência é controlada, dirigida e editada, em sua maior parte, por uma elite econômica formada por homens brancos”.

Há apenas uma mulher entre os fundadores de grupos e três entre os criadores de veículos. As CEOs são apenas seis e as editoras-chefes, oito. 

Com esses dados, o resumo que o MOM-Brasil oferece do nosso sistema de mídia não poderia ser outro. Ele está em “alerta vermelho”.

Tem alta concentração de audiência e de propriedade, alta concentração geográfica e falta de transparência, além de sofrer interferências econômicas, políticas e religiosas.

A rigor, o MOM poderia dizer que a mídia comanda a agenda pública brasileira, da política aos costumes, da economia à cultura. E faz isso com um conjunto variado de ferramentas, que vão da sedução à coação.

Alguma chance de reverter o alerta vermelho, para um cenário de mais diversidade e pluralismo? Nenhuma, a curto prazo.

O regime é de exceção, a mídia está no poder e a norma seguirá sendo o domínio dela, sobre os corações e mentes da amplíssima maioria.

Haja mídia alternativa para enfrentar esse poderoso Golias. Calibremos a pontaria de Davi, se quisermos derrotá-lo.

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