PML sobre Copa: profetas do caos perderam de novo

Colunista da Istoé Paulo Moreira Leite diz que clima do país mudou: "já consegue viver uma experiência que se anunciava como tragédia: hospedar uma Copa do Mundo"; "Profetas do caos perderam mais uma vez e só vira-latas não podem comemorar", conclui 

Colunista da Istoé Paulo Moreira Leite diz que clima do país mudou: "já consegue viver uma experiência que se anunciava como tragédia: hospedar uma Copa do Mundo"; "Profetas do caos perderam mais uma vez e só vira-latas não podem comemorar", conclui 
Colunista da Istoé Paulo Moreira Leite diz que clima do país mudou: "já consegue viver uma experiência que se anunciava como tragédia: hospedar uma Copa do Mundo"; "Profetas do caos perderam mais uma vez e só vira-latas não podem comemorar", conclui  (Foto: Roberta Namour)


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247 – O colunista da Istoé Paulo Moreira Leite constata que o clima no país mudou diante da Copa do Mundo e afirma que profetas do caos perderam mais uma vez. Leia:

EM CLIMA DE COPA 

Profetas do caos perderam mais uma vez e só vira-latas não podem comemorar

A Copa do Mundo não completou uma semana e já é possível perceber um novo fiasco histórico dos profetas do caos. Os aeroportos não ficaram um inferno nem os vôos atrasaram – na média, o número de atrasos e cancelamentos é um dos melhores do mundo. 

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Os estádios estão aí, alegrando visitantes e torcedores. Os números de gols mostram matematicamente que esta pode ser uma das melhores Copas de todos os tempos. 

O transito não está melhor nem pior. 

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Os problemas reais do Brasil seguem do mesmo tamanho e aguardam solução. 

Não custa lembrar, também, que nenhum país está livre de um acidente horrível nos próximos 15 minutos. 

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Mesmo assim, o clima do país mudou. Já consegue viver uma experiência que se anunciava como tragédia: hospedar uma Copa do Mundo. 

O desagradável é que essa situação podia ser percebida em fevereiro. 

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Foi então que, em companhia do repórter Claudio Dantas Sequeira, entrevistei Aldo Rebelo para a ISTOÉ. Perguntamos ao ministro sobre a ameaça de caos que todos associavam a Copa. Aldo respondeu: 

“A experiência mostra que em eventos desse porte há, em primeiro lugar, uma grande permuta entre viajantes e passageiros. Muita gente está chegando à cidade-sede, mas muita gente está saindo. As empresas de evento não fazem feiras nem seminários nessa época. O passageiro tradicional, que visita parente, que viaja a negócios, para ir a um museu, também não viaja.”

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Antecipando uma situação que hoje se verifica em voos com menos passageiros do que se anunciava, o ministro disse: “Em Londres, durante a Olimpíada, havia menos gente na cidade durante os jogos olímpicos do que em dias normais. “

Aldo prosseguiu: “Quem não gostava de esporte não foi para Londres naquele período, mas para Budapeste, para Praga, para Madri. Já sabemos que algumas cidades brasileiras terão menos visitantes do que em outras épocas do ano. No Rio de Janeiro, não haverá o mesmo número de visitantes que a cidade recebe durante o Carnaval. Em Salvador também não.” 

Em maio, em entrevista ao TV Brasil, Aldo Rebelo apresentou argumentos semelhantes. Mostrou a falácia em torno dos gastos excessivos com a Copa. Fez comparações didáticas. É um depoimento esclarecedor, que você pode ler no link
http://www.tvbrasil.ebc.com.br/espacopublico/episodio/espaco-publico-entrevista-o-ministro-do-esporte-aldo-rebelo

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O espantoso é reparar que muitas pessoas trataram estes depoimentos -- e outros que tinham o mesmo conteúdo -- como exemplo de jornalismo sem valor, chapa-branca.

A realidade – em poucas semanas – encarregou-se de mostrar seu caráter informativo e, com perdão do autoelogio, esclarecedor.

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Nelson Rodrigues diagnosticou um mal cultural do brasileiro, o complexo de vira-lata. É certo que este olhar autodepreciativo contribui para embaçar uma visão mais realista da realidade. Ainda mais quando há um interesse, nem sempre oculto, a partir de forças nem um pouco ocultas, como você sabe, de criar um ambiente de medo, desconfiança e derrota. 

Mas ouso sugerir uma segunda abordagem à doença, talvez mais atual. Após anos sem tratamento adequado, sem remédios e sem terapia, os sintomas iniciais de subraça se desenvolveram e tomaram conta dos pacientes.

Eles adquiriram uma nova personalidade. Deixaram de temer as próprias fraquezas. Estão convencidos de que condição inferior é sua verdadeira natureza – o que talvez explique a cafajestada, abaixo de qualquer diagnóstico médico, na Arena Corinthiana, tratada com muita naturalidade até que a reação de homens e mulheres comprometidos com valores democráticos. 

Não é difícil entender por que, até agora, não conseguem enxergar o que se passa na Copa.

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