Para Mino Carta, governo entrega ouro ao bandido

Editor da revista Carta Capital condena o que considera a tentativa do governo de 'angariar a simpatia da Casa Grande'; "Sempre supus Jaques Wagner qualificado para a chefia da Casa Civil e louvei sua escolha para o posto. Mas por que denegrir o PT nas páginas da Folha?", questiona

Editor da revista Carta Capital condena o que considera a tentativa do governo de 'angariar a simpatia da Casa Grande'; "Sempre supus Jaques Wagner qualificado para a chefia da Casa Civil e louvei sua escolha para o posto. Mas por que denegrir o PT nas páginas da Folha?", questiona
Editor da revista Carta Capital condena o que considera a tentativa do governo de 'angariar a simpatia da Casa Grande'; "Sempre supus Jaques Wagner qualificado para a chefia da Casa Civil e louvei sua escolha para o posto. Mas por que denegrir o PT nas páginas da Folha?", questiona (Foto: Leonardo Attuch)


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247 – O jornalista Mino Carta, editor da revista Carta Capital, condena o que considera a tentativa do governo de 'angariar a simpatia da Casa Grande'.

"Sempre supus Jaques Wagner qualificado para a chefia da Casa Civil e louvei sua escolha para o posto. Mas por que denegrir o PT nas páginas da Folha?", questiona.

Leia, abaixo, seu artigo:

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Ouro ao bandido

Incrível: o governo sonha em ganhar a simpatia da casa-grande
 

Pergunto aos meus botões qual seria o propósito de quem entrega o ouro ao bandido. Ao que tudo indica, comover o bandido, respondem prontamente. Insisto: com quais chances de êxito? Concluem: com bandido de 18 quilates, nenhuma. Moral da história: quem entrega o ouro ao bandido, ou é ingênuo ou néscio.

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Tenho reunido há tempo farta documentação da incapacidade do governo de perceber em toda a sua extensão o papel da mídia nativa. Vem de tão longe a colheita que, a esta altura, é do conhecimento até do mundo mineral a exata dimensão da quadrilha midiática. Mas nem todos entre os humanos têm a sensibilidade do quartzo e do feldspato.

Em países civilizados e democráticos, atuam jornais, revistas, rádios, canais de tevê, fontes de informação em geral, em condições de expor ideias e defender interesses os mais variados. No Brasil, não, diz a voz das entranhas da Terra, no Brasil vigora o jornalismo do pensamento único, a serviço exclusivo da ideologia da casa-grande. Defini-la conservadora, ou mesmo reacionária, é redutivo. Ela é simplesmente medieval, com todas as implicações da condição. Anterior à Idade Moderna.

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Espanta-me que um governo que pretendeu ser da renovação ao implementar políticas desenvolvimentistas e de inclusão social, ainda não tenha logrado enxergar na mídia nativa o verdadeiro partido de oposição disposto a cometer atos de descarada bandidagem. Não há limite para os barões midiáticos e os rapazes do bando. Não se trata de uma justa competição a bem da democracia, e sim, de um combate desleal, sem trégua e sem compromisso algum com a verdade factual. Partido sui generis, está claro, próprio de uma época de trevas.

Às vezes me surpreendo na tentativa de imaginar o que vai entre o fígado e a alma nem digo dos senhores da mídia, moradores cativos da casa-grande, mas dos seus empregados, habitantes de redações onde o desequilíbrio social a assolar o País se repete para separar quem ganha mais de quem ganha menos. O que leem para alimentar sua visão do mundo e da vida? O que sentem ao praticar seu jornalismo bucaneiro? Alguns, do alto de pirâmides de florins, talvez encontrem apaziguantes justificativas. E os outros remediados que se curvam passivamente?

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Neste começo do novo ano, sou forçado a anotar que o governo reitera implacavelmente a sua ignorância em relação ao rol midiático, que tão eficaz se revelou na criação da crença de que todas as culpas hão de cair sobre os ombros de Dilma e de Lula, sem exclusão do atraso do ônibus ou do precário funcionamento do celular. E não é que os governistas se apressam a entregar o ouro ao bandido? A presidenta colabora com a Folha de S.Paulocom uma mensagem do primeiro dia de 2016. O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, dá uma entrevista ao mesmo jornal, enquanto o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, opta para sua primeira fala com o Estadão e o Valor Econômico. Será que gostam tanto assim de quem quer vê-los pelas costas? 

Produzi algum gênero de autocrítica a respeito de pecados que já foram cometidos impunemente por quem os precedeu no comando da chamada redemocratização, iguais e até piores, diante da absoluta indiferença da mídia, quando não da aprovação? Quem sabe o ministro Barbosa quisesse fazer genuflexão aos pés do deus mercado, sem deixar de bater na tecla do desenvolvimento. Uma no cravo, outra na ferradura. Tempo perdido, clamorosamente.

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Sempre supus Jaques Wagner qualificado para a chefia da Casa Civil e louvei sua escolha para o posto. Mas por que denegrir o PT nas páginas da FolhaCartaCapital repete há uma década que o Partido dos Trabalhadores portou-se no poder como todos os demais. Admitir, porém, a traição aos princípios e valores iniciais em benefício do inimigo é descabido, além de imprudente, sem contar que, em termos de política econômica, o PT defende faz algum tempo causas justas. Quanto a Barbosa, conseguiu o oposto do que desejava.

Que a maioria dos brasileiros seja resignada, até hoje incapaz de reação a tanta prepotência, tem suas razões de ser ao cabo de séculos de escravidão. Já o governo passa da conta com sua remissividade. Para não usar outra palavra, que por ora não quero pronunciar. O governo do PT deveria era encontrar motivos de orgulho no ódio irreversível que o cerca. Apesar de muitos e graves deslizes, o partido poderia ainda apostar em uma decisiva e redentora diversidade. 

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