Para colunista da Folha, discurso na ONU foi "baboseira"

Jornalista Fernando Rodrigues diz que quase teve um ataque de narcolepsia ao ouvir a presidente discursar nas Nações Unidas; "é mais fácil ler um discurso feito pelo marqueteiro no teleprompter na ONU do que trabalhar duro em casa", diz ele

Jornalista Fernando Rodrigues diz que quase teve um ataque de narcolepsia ao ouvir a presidente discursar nas Nações Unidas; "é mais fácil ler um discurso feito pelo marqueteiro no teleprompter na ONU do que trabalhar duro em casa", diz ele
Jornalista Fernando Rodrigues diz que quase teve um ataque de narcolepsia ao ouvir a presidente discursar nas Nações Unidas; "é mais fácil ler um discurso feito pelo marqueteiro no teleprompter na ONU do que trabalhar duro em casa", diz ele (Foto: Leonardo Attuch)


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247 - O jornalista Fernando Rodrigues, da Folha, condenou a fala da presidente Dilma Rousseff na abertura da Assembleia-geral das Nações Unidas, ontem em Nova York. Leia abaixo:

A baboseira na ONU

BRASÍLIA - Adolescente e trotskista, um dia já enxerguei beleza na Declaração Universal dos Direitos Humanos, um dos pilares da ONU. Foi quando um amigo mais velho do partidão, cheio de sarcasmo, disse: "Não seja ingênuo. A ONU é uma ficção. Não serve para nada. Quem manda lá são os EUA e seus satélites".

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Anos depois, já como correspondente da Folha em Nova York, em 1988, trabalhei em uma pequena sala que servia de escritório para o jornal dentro do prédio principal da ONU. Convivi com diplomatas e funcionários públicos mundiais por algum tempo. Ineficiência e inutilidade são as duas palavras que me ocorrem para definir o que presenciei de perto.

Paulo Francis, meu chefe à época em Nova York, desdenhava a ONU de maneira ferina. "É um cabide de empregos para vagabundos desfilarem de sarongue para cima e para baixo", dizia ele. Descontado o preconceito, Francis tinha uma certa razão.

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Lembrei-me disso ontem ao assistir ao discurso da presidente Dilma Rousseff na ONU. Ela falou contra a espionagem dos EUA no Brasil. Anunciou "propostas para o estabelecimento de um marco civil multilateral para a governança e uso da internet" em nível mundial visando a "uma efetiva proteção dos dados".

Quase tive um ataque de narcolepsia só de pensar em como tramitaria tal ideia dentro da ONU. A chance de algo efetivo prosperar ali dentro é menor do que zero.

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Dilma faria melhor se buscasse equipar o Brasil contra ataques cibernéticos. A presidente faz o oposto. Engavetou um projeto de Política Nacional de Inteligência, que cria diretrizes para o Estado brasileiro se prevenir contra ações de espionagem. O texto está pronto e parado, no Planalto, desde novembro de 2010.

É mais fácil ler um discurso feito pelo marqueteiro no teleprompter na ONU do que trabalhar duro em casa. Para azar de Dilma, é possível perceber a distância entre o que ela fala e o que, de fato, faz.

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