Para Boulos, sua candidatura é 'uma semente a ser colhida adiante'

O presidenciável Guilherme Boulos defende uma recuperação da autoestima brasileira como elemento reformador do país; ele diz "eleições têm que despertar esperança nas pessoas. Sou candidato para falar o que ninguém fala. Não vou negociar direito de mulheres com bancada fundamentalista. Não vou negociar reforma agrária com bancada ruralista"; ele ainda disse que sua candidatura significa "plantar uma semente, mesmo que possa ser colhida mais adiante

Para Boulos, sua candidatura é 'uma semente a ser colhida adiante'
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Da Rede Brasil Atual - O candidato à Presidência pelo Psol, Guilherme Boulos, foi sabatinado nesta quarta-feira (5) por jornalistas do Congresso em Foco e do canal MyNews, no YouTube. Em pauta, temas como o desenvolvimento do país, questões econômicas e estruturais do Estado, além de temas que tangenciam o pleito de outubro como combate à corrupção. Boulos se apresentou como um candidato que está no pleito para "plantar uma semente, mesmo que possa ser colhida mais adiante". 

Boulos falou sobre sua origem no movimento social, como líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Disse que, se eleito, trabalharia instrumentos de democracia direta e aproximaria o povo do poder, deixando de lado as negociatas entre partidos.

"Eleições têm que despertar esperança nas pessoas. Sou candidato para falar o que ninguém fala. Não vou negociar direito de mulheres com bancada fundamentalista. Não vou negociar reforma agrária com bancada ruralista", disse.

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"Nos últimos 30 anos, temos um balcão de negócios nos governos. Isso deu em Eduardo Cunha, Michel Temer. O nível de descrença no sistema político é enorme porque ele faliu (...) Temos uma democracia fragilizada. Democracia tem de ser relação com a sociedade. Temos plebiscitos e referendos que não são utilizados. A elite política do país tem povofobia. Queremos que as grandes decisões nacionais passem por consulta popular e não por negociata com partidos", argumentou.

"Estou disposto a fazer muitas reformas, mas não como esse governo. As reformas desse governo pretendo revogar. Medidas como a EC 95 e a reforma trabalhista. Não existe congelar os gastos por duas décadas. A reforma que queremos é a tributária, em que quem tem mais paga menos e quem tem menos paga mais."

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O déficit nas contas públicas seria, de acordo com o candidato, sanados justamente com essas medidas que reequilibram o sistema de arrecadação. "Você pode tratar o déficit de duas maneiras. A primeira é cortar em todas as áreas. Saneando o Estado, magicamente o investimento vai surgir. Passaram três anos e isso não aconteceu. Ao contrário, cortar investimento, corta a renda, as pessoas consomem menos e o Estado cresce menos, arrecada menos", observou, sobre o que ocorreu no país desde o golpe de 2016.

"Vamos propor uma reforma tributária progressiva que vai nos permitir uma ampla arrecadação. Vamos também acabar com a farra das desonerações", continuou, argumentando que setores que gozam de benesses fiscais no Brasil não são estratégicos. "Não vou acabar com desonerações com contrapartida de emprego. Mas boa parte delas, são como salmão, caviar e filé mignon. Entraram como desoneração mas continuam sendo produto de luxo."

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Alianças

Boulos chegou a tecer críticas a legendas aliadas e do mesmo campo ideológico de seu partido. Criticou, por exemplo, a ampliação das desonerações por parte do governo de Dilma Rousseff (PT) sem que houvesse retorno por parte das empresas beneficiadas.

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Entretanto, defendeu a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde abril após decisão de segunda instância em processo relacionado à Operação Lava Jato.

"Corrupção tem que ser punida independente da coloração partidária. O Psol não tem ninguém investigado. Por isso posso fazer críticas à Lava Jato, porque nem eu, nem ninguém do meu partido está envolvido (...) Mas quando a operação descamba para politização e partidarização, ela merece ser criticada", ressalta. "Ninguém está acima da lei. Nem os juízes da Lava Jato. Para mim é evidente que a Lava Jato se seduziu pela política, pelos holofotes da mídia e passou a fazer política partidária dentro dos tribunais. Tratou dois pesos e duas medidas", disse.

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Para o candidato do Psol, "Lula foi preso sem apresentação de prova material, só com base em delações, em fuxicos. Sem transparência de como foi obtido. Enquanto Lula está preso, Temer está solto cheio de provas. Aécio Neves está em campanha para deputado federal depois até de dizer que ia matar o primo. Quando a Justiça escolhe quem preserva e quem condena, sou contra".

Sabatinas

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Mais cedo, antes de Boulos, foram entrevistados Henrique Meirelles (MDB) e Álvaro Dias (Podemos). Enquanto Meirelles se posicionou como banqueiro e responsável pelo bom desempenho econômico durante os governos Lula, quando foi presidente do Banco Central, Álvaro Dias abraçou a bandeira da Lava Jato. Defendeu a propriedade privada como algo "intocável" e se exaltou quando questionado sobre a ampla quantidade de seguidores fake em suas redes sociais.

Os entrevistadores apresentaram estudo realizado pela InternetLab, por meio de métricas desenvolvidas em universidades norte-americanas, que apontou que 60% dos seguidores do político são perfis falsos. "Trabalho na internet há anos, não tenho ideia do que possa ter ocorrido. Não existe isso. Três petistas fizeram esse levantamento com uma amostragem mínima. Sou o mesmo desde sempre. Tenho autoridade para pregar a nova política. Dos candidatos, talvez seja o mais antigo contestador da velha política. Esta eleição é a mais injusta e desonesta", rebateu.

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Amanhã, está confirmada a presença do candidato a vice pelo PT, Fernando Haddad.

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