Ombudsman: Folha errou com perito contratado para salvar Temer
A ombudsman da Folha de S.Paulo, Paula Cesarino da Costa, disse que o jornal errou nos desdobramentos da perícia que contratou para analisar o diálogo entre Michel Temer e Joesley Batista; o perito contratado pelo jornal, Ricardo Caires dos Santos, , apontou mais de "50 edições" no áudio; perícias subsequentes indicaram que as interrupções eram "naturais" e causadas pelo próprio equipamento de gravação; segundo a ombudsman, ao cobrar da direção da Folha um posicionamento sobre a admissão do erro, ela foi ignorada; "Cotejando todos os laudos apresentados, não há dúvidas da existência de elementos mais do que suficientes para que o jornal assuma que contratou um serviço ruim e anuncie o banimento do perito de sua lista de prestadores, a bem do leitor"
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247 - Paula Cesarino da Costa, ombudsman da Folha de S.Paulo, usou sua coluna deste domingo para criticar a postura do jornal no episódio da perícia contratada para analisar a gravação entre Michel Temer e Joesley Batista.
O perito contratado pelo jornal, Ricardo Caires dos Santos, identificado como "perito judicial pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo", apontou mais de "50 edições" no áudio. Perícias subsequentes indicaram que as interrupções eram "naturais" e causadas pelo próprio equipamento de gravação.
Confira abaixo trechos da coluna:
"Um mês depois, a Polícia Federal concluiu que não houve edição na gravação da conversa entre Joesley e Temer. Os peritos do Instituto Nacional de Criminalística identificaram mais de 180 interrupções "naturais" no áudio. A perícia indicou que o equipamento usado pelo empresário da JBS possui um dispositivo que pausa automaticamente a gravação em momentos de silêncio e a retoma quando identifica som.
Em crítica interna distribuída à Redação considerei que o jornal devia ao seu leitor manifestação reconhecendo seu erro na contratação de perícia eivada de fragilidades e conclusões equivocadas. A Folha fez ouvidos moucos.
Questionei a direção a respeito do episódio. O secretário de Redação, Vinícius Mota, afirmou que as principais conclusões de Ricardo Caires dos Santos "estão em linha" com os principais pontos apontados pelo Instituto Brasileiro de Peritos, referindo-se à segunda perícia encomendada pela Folha. "Nada foi "encampado" ""o jornal relatou o que o perito registrou. Deve-se ressaltar que a perícia dele foi a primeira feita no material"" nem o Ministério Público havia feito tal procedimento básico. A Folha acertou em procurar peritos para fazê-lo", justificou.
Na avaliação do secretário, "não há oposição entre uma e outra perícia no ponto essencial. Ambas detectaram interrupções no áudio."
Tenho aqui de manifestar minha discordância. A primeira perícia "verificou existência de mais de 50 edições". A segunda ""assim como a análise oficial"" apontou interrupções causadas pelo aparelho usado. Edição exige ação voluntária de alguém. Não pode ser comparada à interrupção provocada por um recurso do equipamento para ampliar as horas possíveis de gravação.
Cotejando todos os laudos apresentados, não há dúvidas da existência de elementos mais do que suficientes para que "o jornal assuma que contratou um serviço ruim e anuncie o banimento do perito de sua lista de prestadores, a bem do leitor", como escrevi na crítica.
Por imperícia jornalística, a imagem da Folha foi arranhada.
Discordo, no entanto, de que o jornal tenha buscado preservar Temer. Apesar de que alguns equívocos e opções de edição do noticiário possam ter apontado nessa direção, a Folha pediu em editoriais a renúncia de Temer, defendeu diretas para escolher seu substituto, apoiou que sua chapa fosse cassada e classificou o governo como agônico."
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