O gari de Boris, oito anos depois, recebe R$ 20 por dia de humilhação

A indenização, para usar o bordão de Casoy, “é uma vergonha”. Equivale a uma nota de R$ 20 por dia, nestes quase oito anos de humilhação, já incluídos aí correção monetária e juros

A indenização, para usar o bordão de Casoy, “é uma vergonha”. Equivale a uma nota de R$ 20 por dia, nestes quase oito anos de humilhação, já incluídos aí correção monetária e juros
A indenização, para usar o bordão de Casoy, “é uma vergonha”. Equivale a uma nota de R$ 20 por dia, nestes quase oito anos de humilhação, já incluídos aí correção monetária e juros (Foto: Leonardo Attuch)


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Por Fernando Brito, editor do Tijolaço

Quase oito anos depois, o gari José Mello recebeu R$ 60 mil como indenização por danos morais por ter sido ridicularizado, em rede nacional de televisão, pelo apresentador Bóris Casoy, porque, ingenuamente, gravou uma mensagem desejando “feliz ano novo”, que foi posta no are acompanhada, graças a um operador de áudio distraído, pelos comentários jocosos que não eram para ser ouvidos, mas foram:

−”Que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho.

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Era a antevisão do sentimento da classe média abonada com a ascensão dos pobres. Que merda, como um sujeito de tão baixa extração pode falar em felicidade.

A indenização, para usar o bordão de Casoy, “é uma vergonha”.

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Equivale a uma nota de R$ 20 por dia, nestes quase oito anos de humilhação, já incluídos aí correção monetária e juros.

Ao que parece, é o mesmo que seu colega de infortúnio, Francisco Gabriel de Lima, terá direito.

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Porque os juízes só lembram daquelas coisas bonitas que dizem sobre a indenização ter um caráter pedagógico e ser proporcional à opulência econômica do ofensor quando se trata de calcular dano moral para “bacanas”.

Caso contrário, julgam que é “enriquecimento sem causa” e “indústria do dano moral”.

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Quando é com pobre, é o “dá dez mil réis e manda embora”. No caso, vinte mil réis, por dia de ofensa.

Eles consideram  queo seu José Mello é um privilegiado, está muito bem pago.

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Vai usar o dinheiro para ajudar a mãe de 75 anos, que vive em Pernambuco, a reformar sua casa, e oferecer um churrasco para os amigos do trabalho.

Lamba os beiços, “Seu” José. pensam Suas Excelências. ganhou, depois de oito anos de uma vergonha diante de todos, o que o Meritíssimo ganha num mês para ser “sábio e justo” assim, isso quando não está nos seus dois meses anuais de férias.

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Afinal, tal como Boris, eles também acham mesmo que o senhor desejava “felicidades do alto de sua vassoura” e que gente assim está  no lugar “mais baixo na escala do trabalho.”

Reveja a cena:

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