“O afastamento de Waack deve ser definitivo”

A afirmação é do jornalista Flávio Carrança, diretor do sindicato de jornalistas de São Paulo e coordenador da comissão de jornalistas pela Igualdade Racial, que concedeu entrevista à TV 247; segundo ele, a decisão da Globo de afastar o âncora William Waack se deu mais por interesse do que por convicção; "a reação do público nas redes sociais foi tão forte que a Globo não teve saída, a não ser afastá-lo"; ele afirma ainda que o afastamento terá que ser definitivo; "é incompatível que uma pessoa que expressou esse tipo de opinião possa ser uma das faces da emissora"; confira a íntegra

A afirmação é do jornalista Flávio Carrança, diretor do sindicato de jornalistas de São Paulo e coordenador da comissão de jornalistas pela Igualdade Racial, que concedeu entrevista à TV 247; segundo ele, a decisão da Globo de afastar o âncora William Waack se deu mais por interesse do que por convicção; "a reação do público nas redes sociais foi tão forte que a Globo não teve saída, a não ser afastá-lo"; ele afirma ainda que o afastamento terá que ser definitivo; "é incompatível que uma pessoa que expressou esse tipo de opinião possa ser uma das faces da emissora"; confira a íntegra
A afirmação é do jornalista Flávio Carrança, diretor do sindicato de jornalistas de São Paulo e coordenador da comissão de jornalistas pela Igualdade Racial, que concedeu entrevista à TV 247; segundo ele, a decisão da Globo de afastar o âncora William Waack se deu mais por interesse do que por convicção; "a reação do público nas redes sociais foi tão forte que a Globo não teve saída, a não ser afastá-lo"; ele afirma ainda que o afastamento terá que ser definitivo; "é incompatível que uma pessoa que expressou esse tipo de opinião possa ser uma das faces da emissora"; confira a íntegra (Foto: Ana Pupulin)


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247 – Em entrevista concedida à TV 247, o jornalista Flávio Carrança, diretor do sindicato de jornalistas de São Paulo e coordenador da comissão de jornalistas pela Igualdade Racial, afirmou que a decisão da Globo de afastar o âncora William Waack se deu mais por interesse do que por convicção. "A reação do público nas redes sociais foi tão forte que a Globo não teve saída, a não ser afastá-lo."

Ele afirma ainda que o afastamento terá que ser definitivo. "É incompatível que uma pessoa que expressou esse tipo de opinião possa ser uma das faces da emissora."

Na entrevista, ele também apresentou dados sobre a baixa representação dos negros na imprensa brasileira e disse que um caso tão exemplar deve servir como parâmetro para novas lutas por democratização nos meios de comunicação e em outros segmentos da sociedade. "A principal força que se opôs às cotas no Brasil foi a imprensa", afirma.

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Leia, ainda, a nota divulgada pela Federação Nacional dos Jornalistas:

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), por meio da Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Etnicorracial e das Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial e Núcleo de Jornalistas Afro-brasileiros dos sindicatos, vem a público manifestar total repúdio aos comentários racistas do jornalista William Waack, registrados em vídeo viralizado na internet.

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De maneira ultrajante e entre risos, o jornalista atribui má-conduta a uma pessoa negra, buscando falsa justificativa na negritude. Waack atenta contra leis e normas, entre elas a Constituição Federal e o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, expressamente no artigo 6º:

I – defesa dos princípios da Declaração Universal de Direitos Humanos – incluindo a comunicação como direito humano;

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XI – defender os direitos de cidadãos e cidadãs, em especial negros, entre outros;

XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.

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Apesar do afastamento de Waack de suas atividades no Jornal da Globo, é mister manter o debate político acerca do racismo e da discriminação racial praticado por jornalistas, na imprensa e em veículos de comunicação. Esta é uma discussão que vem sendo historicamente desprezada pela área, impedindo a eliminação do racismo e a responsabilização de pessoas, empresas e instituições a despeito dos esforços do movimento negro e de negras e negros organizados, inclusive em instâncias sindicais de jornalistas.

Desde o ano 2000, jornalistas negras e negros estão organizados em comissões e núcleos, reagindo contra o racismo na imprensa que ocorre seja por meio da baixa presença de afrodescendentes nas redações, piores condições de trabalho decorrentes da discriminação racial e violação do direito humano à comunicação da população brasileira, especialmente da população negra. Diversas teses em congressos de jornalistas, seminários, debates, estudos e publicações, cursos e guias têm sido produzidos pela FENAJ, sindicatos e entidades parceiras como instrumentos de sensibilização e desenvolvimento de práticas inclusivas no âmbito das relações raciais no jornalismo brasileiro.

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Contudo, é fundamental registrar a pouca adesão de jornalistas e a falta de respostas das empresas jornalísticas em apoiar tais iniciativas. Não é prematuro reconhecer que o caso Waack é a expressão da situação-limite que o jornalismo brasileiro enfrenta, o que demanda transformações profundas por parte de profissionais, empresas, universidades, entidades sindicais, sociedade e poder público.

A FENAJ conclama a sua categoria e a sociedade brasileira para que as mobilizações nas redes sociais frente à indignação com o caso Waack perseverem na efetivação de mudanças que jornalistas e empresas de comunicação têm evitado, ao longo dos tempos, a qual é reveladora do racismo como estruturante das relações sociais, econômicas, trabalhistas e políticas no País. Que o caso Waack, publicizado neste mês da Consciência Negra, seja o catalisador de debates e práticas que a categoria, setor de comunicação, sociedade, governo e instituições de ensino não podem mais se furtar: a eliminação do racismo sob todas as suas formas.

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