Noblat pede "Marina na cabeça"
Para o jornalista Ricardo Noblat, a escolha de Marina Silva como a candidata a presidente no lugar de Eduardo Campos é obrigatória; "Se o maior trunfo do PSB para eleger Eduardo era sua vice, como explicar aos eleitores que, uma vez Eduardo morto, o partido abandonou Marina para cair no colo de Dilma? Ou para bancar outro nome - o que seria o mesmo que apoiar Dilma às escondidas?"
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247 - O jornalista Ricardo Noblat defendeu nesta quarta-feira, 14, que a candidata a vice-presidente Marina Silva, do PSB, assuma a cabeça de chapa após a tragédia que vitimou o candidato a presidente do seu partido, Eduardo Campos. Para Noblat, a escolha de Marinha nada a ver com simpatia por ela, mas pelo "mais frio pragmatismo político".
"Se o maior trunfo do PSB para eleger Eduardo era sua vice, como explicar aos eleitores que, uma vez Eduardo morto, o partido abandonou Marina para cair no colo de Dilma? Ou para bancar outro nome - o que seria o mesmo que apoiar Dilma às escondidas?"
Leia na íntegra.
Marina na cabeça, por Ricardo Noblat
Aqui no Recife, entre pessoas que eram próximas do candidato a presidente da República Eduardo Campos, e até mesmo entre parentes dele, parece inconcebível que o PSB apoie a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Ou que lance outro nome que não seja o de Marina Silva para substituir Eduardo como candidato.
Nada a ver com simpatia por Marina ou agradecimento pelo que ela fez para ajudar a projetar o ex-governador de Pernambuco. Tudo a ver com uma escolha orientada pelo mais frio pragmatismo político. Desde março último que Eduardo e Marina são vistos sempre juntos – ao vivo ou pela televisão.
Todo o material da campanha presidencial do PSB concebido e distribuído até ontem explora à exaustão a estreita ligação entre os dois. Está pronto o primeiro programa de propaganda eleitoral de Eduardo e de Marina a ir ao ar no próximo dia 19. Naturalmente será revisto, mas somente em parte. No que importa, Eduardo e Marina aparecerão de mãos dadas.
Ora, se o maior trunfo do PSB para eleger Eduardo era sua vice, como explicar aos eleitores que, uma vez Eduardo morto, o partido abandonou Marina para cair no colo de Dilma? Ou para bancar outro nome - o que seria o mesmo que apoiar Dilma às escondidas?
Se Marina, como vice, serviria para substituir Eduardo uma vez eleito por que não servirá para substituí-lo desde já? Registre-se que Marina sempre pontificou nas pesquisas eleitorais com mais intenções de voto do que Eduardo.
Ela e Eduardo se entenderam melhor do que foi dito e publicado desde março. Ambos foram hábeis para superar divergências e selar acordos. Marina aprendeu a gostar de Eduardo e a admirá-lo. E foi menos um obstáculo às alianças firmadas por Eduardo do que pareceu.
De resto, depois que ele morreu tragicamente, como desrespeitar a vontade de Eduardo que acolheu Marina como companheira?
O que a direção do PSB começou a examinar de ontem para cá são nomes de possíveis candidatos a vice em uma nova chapa encabeçada por Marina. São dois os nomes mais fortemente cogitados: Roberto Amaral, vice-presidente do PSB que assumiu a presidência com a morte de Eduardo, e Maurício Rands, um dos coordenadores do programa de governo de Eduardo e Marina.
Roberto não simpatiza com Marina. E dependesse só dele, o PSB fecharia com a reeleição de Dilma. Ex-líder do PT na Câmara dos Deputados, ex-secretário de governo de Eduardo, Maurício obteve o apoio de Eduardo para disputar em 2012 a prefeitura do Recife. Na época era filiado ao PT. Mas o PT vetou Maurício, que acabou se filiando ao PSB.
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