Nassif critica mais uma denúncia de Escosteguy

O incansável Diego Escosteguy, chefe de Época em Brasília, tentou mais uma vez; neste fim de semana, produziu outra denúncia contra a Petrobras, mas o jornalista Luis Nassif demonstra que nada fica de pé

O incansável Diego Escosteguy, chefe de Época em Brasília, tentou mais uma vez; neste fim de semana, produziu outra denúncia contra a Petrobras, mas o jornalista Luis Nassif demonstra que nada fica de pé
O incansável Diego Escosteguy, chefe de Época em Brasília, tentou mais uma vez; neste fim de semana, produziu outra denúncia contra a Petrobras, mas o jornalista Luis Nassif demonstra que nada fica de pé (Foto: Leonardo Attuch)


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247 - As denúncias da revista Época começam a virar tema de anedotas entre jornalistas. Nesta semana, uma reportagem de Diego Escosteguy, sempre ele, mais uma vez dispara contra a Petrobras (leia aqui). Mas o que o leitor encontra? Quase nada, mais uma vez. Leia, abaixo, a análise de Luis Nassif:

Novas denúncias de Época: os superlobistas trapalhões

Não dá para entender o novo modelo de denúncias da revista Época. Fica-se sem saber se a revista está com problema de falta de equipe de reportagem, ou a direção de redação padece da falta de conhecimento de negócios, para filtrar as matérias.

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Denúncias envolvendo negócios têm sua complexidade. O repórter precisa saber a diferença entre operações habituais e as extravagantes, entender a lógica financeira para separar onde há suspeitas de negociata, onde há operações normais de mercado. Não basta obter um relatório da Polícia Federal se não houver discernimento para entender o tema e identificar o negócio.

Esta semana a matéria de denúncia da Época fala em “Os lobistas e os negócios da Petrobras na África” (clique aqui).

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O tom é de denúncia, o texto tem o estilo roteirizado das denúncias, cada episódio é tratado como se fosse uma denúncia. Quando se completa a leitura, não existe uma só denúncia na história.

Poderia ser matéria de negócios, mas não é, dado o tom de denúncia. Poderia ser matéria de denúncia, mas não é, por ter apenas o tom, sem apresentar uma denúncia.

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Faz um check-list de tentativas infundadas de lobby, mostrando um superlobista que não consegue um resultado sequer.

Finalmente, joga no papel um conjunto de informações genéricas de negócios – como, por exemplo, o fato público da associação entre Petrobras e BTG na África. E informa, judiciosamente, que consultou os personagens mencionados mas eles não quiseram se manifestar. Manifestar sobre o quê? "Pactual, o que você tem a dizer sobre sua associação com a Petrobras na África?". "Petrobras, o que você tem a dizer sobre sua associação com o Pactual na África?"/

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Provavelmente o RP de ambas as empresas sugeriur o repórter consultar os comunicados ao mercado. E com isso não deu as declarações em aspas que poderiam ser utilizadas no texto.

A matéria toda tem 12.723 caracteres

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Trecho 1 - Viagem de Lula à África.

22% do texto. Todo o texto servindo apenas para informar que dois representantes de empresas estavam na comitiva, José Carlos Bumlai e Fábio Pavan. Legal! Viagens de negócios costumam ser feitas com representantes das empresas interessadas. Mas qual a relevância dos dois?

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Restam 77%.

Trecho 2 - Perfil de Bumlai 

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Nos 10% seguintes, descobre-se que a razão de Bumlai estar na matéria é o fato de ser amigo de Lula. Menciona-se sua influência para indicar diretores para a Petrobras. E apresenta uma prova irrefutável: o fato de João Augusto Henriques – também chamado de “lobista” (na reportagem todos são lobistas) – ter procurado o apoio de Bumlai para o influente cargo de diretor internacional da Petrobras. E não ter conseguido a indicação. 0 x 1 para o lobista.

Restam 67%.

Trecho 3 – os negócios do lobista em Acra.

27% da reportagem para narrar as aventuras empresariais de Pavan e da Constran em Acra – que não deram certo. E relata o fato do superlobista ter ido atrás do apoio da Petrobras. E nada ter conseguido. 0 x 2 para ele.

Restam 41%.

Trecho 4 – negócios com o grupo Charlot.

18% para informar que os lobistas tentaram vender um poço do grupo Charlot para a Petrobras por US$ 150 milhões, antes de saber se o poço tinha petróleo. Mas sabendo que o Conselho de Administração não aceitaria, propuseram um sinal de US$ 8 milhões e o pagamento dos US$ 150 milhões só se saísse petróleo. Que não saiu. 0 x 3.

Restam 23%

Trecho 5 – o acordo do BTGB e da Petrobras na África

11% para informar que a Petrobras juntou seus ativos africanos e vendeu parte para o BTG Pactual por US$ 1,5 bi. E que os dois lados lucraram com a operação. Informa também que “procurado pela reportagem”, o BTG não se pronunciou. Mas se pronunciar sobre o quê, se não há um dado sequer a ser checado.

Restam 12%.

Trecho 6 – relacionamento Lula-Bumlai

12% finais para mostrar que Bumlai e Pavan assistiram à inauguração do escritório da Embrapa na África, na qual Lula estava presente. E também a relevante informação de que, procurado para falar do relacionamento com Bumlai, o Instituto Lula não quis se pronunciar. E também a relevante informação de que o superlobista Pavan procurou de todas as maneiras um contato com a Petrobras e nada conseguiu. 0 x 4

Não resta mais nada.

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