Merval: estratégia de Temer põe defesa nas mãos de Loures
"A defesa de Michel Temer no processo que será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara é mais jurídica do que política. E essa pode ser sua maior falha (...) Não restará alternativa ao ex-assessor [Rocha Loures]: ou assume a culpa, confessando-se um ladrão solitário que usou o nome de Temer em vão, ou esclarece as coisas em uma delação premiada, que parecia estar a ponto de fazer quando foi providencialmente liberado da cadeia para a prisão domiciliar", escreve Merval Pereira
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247 - O jornalista Merval Pereira, em sua coluna desta quinta, mostra como a estratégia dos advogados de defesa de Michel Temer acaba colocando o futuro do peemedebista nas mãos de Rodrigo Rocha Loures.
"A defesa de Michel Temer no processo que será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara é mais jurídica do que política. E essa pode ser sua maior falha, no sentido de que, para desvencilhar-se da já famosa mala com R$ 500 mil que seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures arrastou apressado pelas ruas de São Paulo, o advogado Antônio Cláudio Mariz garante que o presidente nunca autorizou Loures a fazer “tratativas espúrias” em seu nome.
Não restará alternativa ao ex-assessor: ou assume a culpa, confessando-se um ladrão solitário que usou o nome de Temer em vão, ou esclarece as coisas em uma delação premiada, que parecia estar a ponto de fazer quando foi providencialmente liberado da cadeia para a prisão domiciliar.
A defesa de Temer, voltando a atacar a gravação feita por Joesley Batista como se fosse ilegal, pretende anular também a mala de Loures, aplicando a teoria dos frutos da árvore envenenada, criação da Suprema Corte americana acolhida no nosso ordenamento jurídico: se uma prova é ilícita, as demais colhidas em consequência dela também o são.
Entretanto, como não há uma relação de causa e efeito entre ela e os depoimentos, estes são válidos. E a mala é um fardo arriscado, pois resta ainda a possibilidade de Rocha Loures ter sido liberado pelo ministro Edson Fachin para, justamente, fazer a delação premiada fora da cadeia. Além do mais, aquelas imagens do ex-assessor de Temer correndo com a mala cheia de dinheiro dificilmente se apaga da memória coletiva por uma teoria jurídica."
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