Merval diz que STF deve manter unidade para 'barrar as intenções golpistas de Bolsonaro'
Jornalista Merval Pereira diz que Jair Bolsonaro “talvez modere sua fúria por uns tempos", mas que o STF terá de manter sua unidade interna "para barrar as claras intenções golpistas de Bolsonaro”
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247 - O jornalista Merval Pereira observa, em sua coluna no jornal O Globo, que o encontro entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, e Jair Bolsonaro, realizado nesta segunda-feira (12), teve como objetivo conter a crise entre o Judiciário e o Executivo. Apesar disso, ele avalia que o ex-capitão “talvez modere sua fúria por uns tempos, mas ninguém muda aos 66 anos” e que o STF terá de manter sua unidade interna "para barrar as claras intenções golpistas de Bolsonaro”.
Segundo ele, o magistrado propôs “uma reunião entre os chefes dos três Poderes para que a questão da democracia seja reafirmada formalmente. O ministro Fux deixou claro que o presidente Bolsonaro tinha o dever de assumir publicamente o respeito ao que está estabelecido na Constituição e de falar sobre o acatamento aos limites impostos por ela aos Poderes da República”.
“Como se viu depois da reunião, o presidente voltou a criticar Barroso, afirmando que ele faz um ‘ativismo legislativo’ contra o voto impresso, que Bolsonaro continua querendo ver instituído no país. Na verdade, o ‘ativismo legislativo’ teve mais um componente, o ministro Alexandre de Moraes, que será presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na época da eleição no ano que vem”, avalia.
Para Merval, “a conversa com os partidos deu resultado, e hoje já há uma clara tendência contrária ao que Bolsonaro quer. Ambos tomaram a iniciativa de contatar parlamentares simplesmente porque Barroso é o atual presidente do TSE, e Alexandre de Moraes será o próximo. Estão, pois, dentro de suas prerrogativas de defender a urna eletrônica.
“Alexandre de Moraes, por sua vez, prossegue com as investigações das fake news, já tendo identificado uma rede de financiamento e incitamento de mensagens fraudadas envolvendo o “gabinete do ódio” do Palácio do Planalto, que seria coordenado por Carlos Bolsonaro, o filho Zero Dois do presidente”, ressalta o jornalista.
Ainda segundo ele, Bolsonaro, “ao que tudo indica, continuará em sua campanha para enfraquecer o Supremo, assim como várias outras instituições republicanas. Talvez modere sua fúria por uns tempos, mas ninguém muda aos 66 anos. Os embates institucionais continuarão, e o STF terá de manter sua unidade interna, que os ataques a Barroso consolidou, para barrar as claras intenções golpistas de Bolsonaro”.
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