Merval: Campos-Marina teve boa saída para assumir oposição

Colunista diz que, depois de ter participado dos dois governos Lula e dos primeiros anos do de Dilma, Eduardo Campos encontrou linha de atuação do PSB que explica dissidência e aliança com Marina: “Esse governo decepcionou não só a mim, mas a muitos dos outros milhões que nele votaram”

Colunista diz que, depois de ter participado dos dois governos Lula e dos primeiros anos do de Dilma, Eduardo Campos encontrou linha de atuação do PSB que explica dissidência e aliança com Marina: “Esse governo decepcionou não só a mim, mas a muitos dos outros milhões que nele votaram”
Colunista diz que, depois de ter participado dos dois governos Lula e dos primeiros anos do de Dilma, Eduardo Campos encontrou linha de atuação do PSB que explica dissidência e aliança com Marina: “Esse governo decepcionou não só a mim, mas a muitos dos outros milhões que nele votaram” (Foto: Roberta Namour)


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247 – O colunista do Globo Merval Pereira acredita que a dupla Eduardo Campos e Marina Silva encontraram boa saída para explicar a dissidência de governos do PT e se apresentar como alternativa da oposição: “Esse governo decepcionou não só a mim, mas a muitos dos outros milhões que nele votaram”. Leia:

Chapa de oposição

A definição de que a chapa PSB e Rede é uma resposta ao autoritarismo do governo petista, que tentou inviabilizá-la de todas as maneiras, é uma postura de combate do ex-governador Eduardo Campos e mostra bem a linha de atuação que ele e a ex-senadora Marina Silva terão durante a campanha eleitoral.
Com o lançamento da chapa Campos-Marina, fica definido um dos principais postulantes pela oposição à sucessão da presidente Dilma, acabando a especulação de que Marina não aceitaria um posto inferior na chapa, ela que estaria em 2º lugar na corrida presidencial se fosse candidata isolada.

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Marina aceitou ser vice de Campos, mas não se considera em plano inferior politicamente, tanto que disse que caminhará lado a lado com ele. Essa visão, antes de ser um complicador para a composição da chapa, é uma solução para que os eleitores marinistas não se sintam desprestigiados e possam trabalhar para a transferência de votos de Marina para a chapa que o ex-governador de Pernambuco encabeça.

Campos, em entrevista prévia ao lançamento da chapa pura - Marina filiou-se ao PSB depois de ter sido negado o registro da Rede e repetiu ontem as críticas ao governo por tentar inviabilizá-la -, teve uma boa saída para explicar sua dissidência, depois de ter participado dos dois governos Lula e dos primeiros anos do de Dilma: Esse governo decepcionou não só a mim, mas a muitos dos outros milhões que nele votaram .

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A outra postura que marcará a campanha da dupla foi definida pelo economista Eduardo Gianetti: essa chapa é a terceira via, uma alternativa para os eleitores que já estariam cansados da polarização entre PT e PSDB que vem marcando as disputas para a Presidência desde 1994. Seguindo a linha de seus líderes, Gianetti disse que os avanços construídos tanto por FHC quanto Lula não foram seguidos por Dilma, frustrando assim o eleitorado.

Caberia agora a Campos e Marina dar prosseguimento a esses legados, com uma visão nova que incorporaria o melhor dos dois partidos. Essa postura, se levada ao pé da letra, pode isolar a chapa Campos e Marina, que ficaria sem apoios políticos para o segundo turno. Como pedir o apoio dos tucanos se eles forem alvos de ataques no primeiro turno?

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Na carta de princípios esboçada está o compromisso de não fazer ataques pessoais aos adversários, o que poderá levar a que tanto Campos quanto Marina façam suas críticas no campo programático, o que seria uma novidade em eleições presidenciais recentes.

Foi esse estilo, porém, que levou Marina a ter grande votação em 2010, sem atacar mesmo a então candidata Dilma, com quem se desentendeu no governo Lula. O próprio Lula comentou recentemente que compreendia a dissidência de Marina, pois acompanhou suas desavenças com Dilma.

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Colocada como de oposição, a candidatura de Campos caminha para tentar receber a maioria possível de votos dos eleitores de Marina e terá na vice uma candidata atuante, que poderá ocupar palanques alternativos durante a campanha.

Há na política a definição de que vice não dá voto a ninguém, mas pode tirar. Marina está desafiada pelas circunstâncias eleitorais a provar o contrário quanto à transferência de votos. Mas terá de ter cuidados para não tirar votos de Campos em setores delicados na relação dos dois, que, segundo ela, ainda está sendo construída.

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O agronegócio é um desses temas delicados que podem provocar desavenças na campanha, assim como a relação com os evangélicos. Marina citou ontem o fato de ser uma mulher de fé , mas garantiu que não faz do púlpito palanque. Tem a seu favor a campanha de 2010, em que não usou a religião para se promover, mas mesmo assim recebeu uma votação maciça dos evangélicos.

O problema para ela nesta eleição é que o pastor Everaldo (PSC) está em campanha assumidamente como candidato evangélico, e, quando um irmão é candidato, a maioria dos votos vai para ele, como demonstram as pesquisas do professor Cesar Romero Jacob, diretor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, que lançou o e-book Religião e Território no Brasil: 1991/2010 , da Editora PUC.

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Ao analisar as transformações no perfil religioso da população, com o crescimento do número de evangélicos no país, esse trabalho é útil para o entendimento do cenário eleitoral. Marina não fez campanha como evangélica, mas as igrejas evangélicas fizeram campanha para ela, o que significou boa parte de seus votos, que agora serão disputados pelo pastor Everaldo.

 

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