Luciano Coutinho: não é realista esperar a retomada do setor privado
"Não é realista também esperar retomada do investimento privado. Ao contrário, com demanda anêmica, elevada ociosidade industrial, endividamento sufocante e crédito escasso e oneroso, o setor privado tão cedo não voltará a investir. A formação de capital fixo e a construção civil caem sem parar desde 2015", escreve o economista e ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho em artigo sobre saídas para a crise econômica
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
247 - "Não é realista também esperar retomada do investimento privado. Ao contrário, com demanda anêmica, elevada ociosidade industrial, endividamento sufocante e crédito escasso e oneroso, o setor privado tão cedo não voltará a investir. A formação de capital fixo e a construção civil caem sem parar desde 2015", escreve o economista e ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho em artigo sobre saídas para a crise econômica publicado no Valor.
"O governo federal percebeu a dimensão do bloqueio à retomada do crescimento. Sob intensa pressão política e empresarial a equipe econômica mudou de atitude e agora procura saídas. É preciso entender que a situação é especialmente difícil e que a restauração da confiança quanto à sustentabilidade fiscal e previdenciária em longo prazo, não será suficiente para recuperar a economia. Tampouco reformas microeconômicas, embora necessárias e úteis poderão, per se, ressuscitar o crescimento.
Diferentemente de outras retomadas do crescimento ocorridas em 1983-84, 1994-95, 2003-04 hoje não existem motores externos e internos capazes de quebrar o círculo vicioso da recessão. Na verdade os motores estão engripados, quando não em marcha à ré. Por exemplo, o consumo das famílias, principal componente do PIB (60%), caiu significativamente em 2015 (- 4%) e persistiu caindo mais em 2016 (-5%) sem expectativa de reversão já que o desemprego continua subindo (1,5 milhão de vagas fechadas em 12 meses até outubro passado).
Desemprego em alta eleva a inadimplência, formando-se um círculo vicioso de cautela entre consumidores e bancos. As famílias, que acumularam dívidas desde 2004, pisaram no freio dos gastos e vem buscando reduzir-las. Por isso não é realista esperar uma recuperação firme do consumo enquanto o emprego não voltar a crescer, ainda que a taxa de juros seja significativamente reduzida nos próximos meses.
É urgente resolver os processos de leniência para permitir a sobrevivência das empresas de construção
Do lado dos gastos públicos a margem de expansão é nula diante da retração da arrecadação tributária da União e dos Estados, tendo em conta que o governo federal fixou metas difíceis para o superávit primário de 2016 e 2017. No caso dos Estados a situação é periclitante, obrigando forte contração dos gastos."
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247