Laura Carvalho: “distribuir renda no Brasil sem mexer nos impostos é quixotesco”

A economista Laura Carvalho afirma em entrevista ao El País que a discussão sobre a distribuição de renda no Brasil assume ares quixotescos quando despreza a questão dos impostos; ela diz: “é como sea tarefa de distribuir renda se tornasse um pouco quixotesca quando você abre os trabalhos concentrando”

Laura Carvalho
Laura Carvalho (Foto: Gustavo Conde)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

247 – A economista Laura Carvalho afirma em entrevista ao El País que a discussão sobre a distribuição de renda no Brasil assume ares quixotescos quando despreza a questão dos impostos. Ela diz: “é como sea tarefa de distribuir renda se tornasse um pouco quixotesca quando você abre os trabalhos concentrando”.

Leia trechos da entrevista:

“O que permitiu tanto as contas públicas saneadas quanto os investimentos públicos foi, em primeiro lugar, o cenário externo. No período de 2006 a 2010 houve uma expansão muito forte do investimento e uma redução brutal da dívida. Os investimentos públicos não foram os únicos causadores do crescimento, são vários fatores. Desde 2003, veio o boom das commodities, que melhorou a situação. O crescimento econômico começa a aumentar um pouquinho, as contas públicas ficam mais controladas e confortáveis. Mas, em um primeiro momento, isso não vem com o crescimento do consumo interno. A diferença é que em 2006, com o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] e uma série de medidas de expansão de investimentos, juntamente com o círculo virtuoso entre redistribuição da renda, crescimento de salários e de determinados setores, o processo de crescimento ocorre sem prejuízo das contas públicas. O boom de commodities dura o período inteiro, vai desde 2003 até 2011. Só que, até 2005, o crescimento vem só das exportações, não vem nem do consumo das famílias nem dos investimentos das empresas. O que muda ali é que o país passa a ter investimento público junto com o pilar da distribuição da renda, dinamizando o mercado interno. O que equilibrou as contas foi uma arrecadação maior por causa do boom de commodities e o próprio crescimento da economia, que tem diversos fatores.

continua após o anúncio

(...)

Não temos hoje um cenário externo positivo, o que significa que não virá de fora a retomada. Ao mesmo tempo, temos uma economia que está rumando para a estagnação da renda per capita, que vive a recuperação mais lenta da história das crises brasileiras, o que faz com que empresários não tenham razão para investir. Percebemos, nos últimos três anos, que o argumento de que o investimento das empresas é algo autônomo, que não depende do próprio Estado da economia, é falso. Você precisa de algum tipo de motor que faça com que o mercado interno volte a estar dinâmico. Em geral, isso precisa de uma decisão autônoma. Você não tira uma economia de uma situação de buraco e de estagnação sem que haja uma injeção nova de ânimo no mercado. Tradicionalmente a discussão é: como viabilizar investimento público para que eles funcionem como esse motor? Você precisa arrecadar mais. Uma parte disso virá do próprio crescimento. Mas não estou defendendo que o crescimento gerado pelo investimento será suficiente para financiar eles próprios. Esse não é meu argumento. O investimento público tem um efeito multiplicador muito forte, mas não necessariamente suficiente para financiar o próprio gasto.”

continua após o anúncio

Leia mais aqui.

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247