Lalo Leal Filho: a 'nova política' de Bolsonaro é fechar o Congresso

À TV 247, o jornalista e professor Laurindo Leal Filho classificou como "assustador" o discurso de Bolsonaro sobre nova política, contra o diálogo e o contraditório; especialista em mídias, ele vê semelhanças entre o período da ditadura e agora, quando a imprensa apoiou o golpe contra Dilma e criou condições para Bolsonaro ser presidente; "Três meses depois rompem com Bolsonaro, apoiam o Mourão e corre o risco de dentro de alguns meses ter que começar a publicar outra vez receita de bolo e poema", prevê, em referência à censura

Lalo Leal Filho: a 'nova política' de Bolsonaro é fechar o Congresso
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247 - O jornalista e professor Laurindo Leal Filho, especialista em democratização das mídias na USP, disse que o presidente Jair Bolsonaro chama de "nova política" uma política que não prevê diálogo com o Congresso Nacional. Ele ainda traçou um perfil de uma pequena parte do governo. Para Lalo, como é conhecido, Bolsonaro pretende fechar o Congresso Nacional.

"Dizer que é uma velha política a necessidade de dialogar com o Congresso Nacional nos leva a entender qual é a nova política? Qual é a alternativa a não dialogar com o Congresso Nacional? É assustador, a nova política é fechar o Congresso Nacional".

O professor fez uma análise dos perfis do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente Jair Bolsonaro.

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"Qual é o perfil psicológico desse Moro? Um jovem mal formado, inculto, tem dificuldade até de ler, enfim, uma pessoa com esse perfil ganhou uma autoridade e um poder, e a mídia muito responsável por isso o tornou um herói nacional, e de repente ele tem de se confrontar com o Congresso, ele não admite. O Bolsonaro, embora tenha passado 30 anos no Congresso, a origem dele é militar e a cabeça dele é militar, não admite o contrário, não admite a alternativa, o diálogo. O Guedes vem do mercado financeiro no qual ele sempre exerceu um poder sobre aqueles que ele comandava e sobre as finanças", descreveu.

Lalo afirmou que esse perfis são muito complicados para promoverem uma convivência política democrática no país, o que é assustador, segundo ele.

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O jornalista também analisou o uso de redes sociais por parte do presidente. Para ele, Bolsonaro encontrou no Twitter uma forma de se comunicar sem demonstrar suas falhas e falta de cultura. "Uma personalidade tão fraca como a do Bolsonaro, de muito pouco estofo cultural e com dificuldade inclusive de formular frases mais complexas, encontrou um casamento perfeito com as redes sociais, com Twitter, que se limitam a pequenas frases e chavões. Pessoas com uma deficiência muito grande, cognitiva até, se adaptam perfeitamente a esse tipo de mídia, que se contenta com pequenas frases, foi assim a campanha eleitoral".

Sobre o "divórcio" entre a grande imprensa e o presidente, Lalo enxerga um apoio e fortalecimento do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, por parte da mídia. "São tão grandes os atentados à democracia e todos esses atos incompatíveis com a sociedade mais civilizada desse governo que essa mídia começou a apontar esses fatos já caminhando para uma alternativa que, segundo ela, seja capaz de substituir seu candidato, o vice-presidente. Está claro que a mídia caminha para uma possível substituição do presidente pelo vice".

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Ele ainda comparou o momento político atual e as intenções da grande imprensa com o cenário do ditadura militar. "Guardadas as devidas proporções o cenário é semelhante, apoiaram o golpe contra a Dilma, apoiaram a política do Temer, criaram as condições para o Bolsonaro ser o presidente da República. Três meses depois rompem com Bolsonaro, apoiam o Mourão e corre o risco de dentro de alguns meses ter que começar a publicar outra vez receita de bolo e poema como o Estadão e Jornal da Tarde faziam depois da censura imposta a eles durante o regime militar. É triste falar isso mas é a realidade, corremos esse risco".

Inscreva-se na TV 247 e assista à entrevista na íntegra: 

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