Kotscho: Temer paga o preço das suas escolhas
"Era bola cantada. Ao nomear raposas para tomar conta do galinheiro, o presidente interino Michel Temer sabia os riscos que estava correndo e agora está pagando o preço, ao perder o segundo ministro em menos de três semanas de governo provisório", diz Ricardo Kotscho, referindo-se a Fabiano Silveira; "Ao olhar à sua volta no Palácio do Planalto, Temer deve estar se perguntando: qual será o próximo? Tem vários outros na linha de tiro"
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Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho
Era bola cantada. Ao nomear raposas para tomar conta do galinheiro, o presidente interino Michel Temer sabia os riscos que estava correndo e agora está pagando o preço, ao perder o segundo ministro em menos de três semanas de governo provisório.
O que pode surpreender é a rapidez do desmanche, mas não as causas das demissões precoces. Antes de atender aos clamores das multidões que foram às ruas para protestar contra a corrupção, Temer precisava cumprir os acordos feitos com líderes partidários durante o processo de impeachment, muitos deles alvejados pela Operação Lava Jato, para chegar ao poder e garantir maioria no Congresso. Quem esperava outra coisa ficou na ilusão, era impossível.
Vamos nos colocar no lugar dele: poderia ter sido de outro jeito, com a nomeação de notáveis de reconhecida competência técnica, acima dos partidos, como chegou a ser anunciado? Se a quantidade e a qualidade dos partidos é a mesma, o sistema político-partidário-eleitoral não mudou, e o Congresso Nacional continua dando as cartas, sob o comando de Renan Calheiros e Eduardo Cunha, como é possível alguém governar o Brasil de forma republicana, colocando o interesse nacional acima das tenebrosas transações reveladas nos áudios gravados pelo delator Sérgio Machado?
Desta vez, bem que Temer tentou resistir às pressões durante toda a segunda-feira, chegou a anunciar que daria um tempo para o ministro acusado se defender, mas antes do dia acabar, atacado por todos os lados, o até ontem desconhecido Fabiano Silveira, indicado por Renan e Romero Jucá para a pasta da Transparência, Fiscalização e Controle, se viu obrigado a pedir o boné. Pelos mesmos motivos e nas mesmas circunstâncias, Jucá tinha caído oito dias antes.
Parece piada pronta com coisa séria. Ainda se fosse qualquer outro, mas como manter justamente no Ministério da Transparência, encarregado de fiscalizar o próprio governo e combater a corrupção, alguém suspeito de tramar contra as investigações da Lava Jato no momento em que chegam ao coração do novo governo?
Ao olhar à sua volta no Palácio do Planalto, Temer deve estar se perguntando: qual será o próximo? Tem vários outros na linha de tiro.
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