Kotscho: 'Será que Dilma já se arrependeu da reeleição?'

Desde a posse, no dia 1º de janeiro, "a presidente só foi vista em público na Bolívia, durante a cerimônia de posse de Evo Morales, em que se recusou a falar com os jornalistas", observa o jornalista; segundo Ricardo Kotscho, "uma boa oportunidade para Dilma responder a todas as dúvidas da população será nesta terça-feira, quando reunirá, pela primeira vez, seu novo ministério, em Brasília"

Desde a posse, no dia 1º de janeiro, "a presidente só foi vista em público na Bolívia, durante a cerimônia de posse de Evo Morales, em que se recusou a falar com os jornalistas", observa o jornalista; segundo Ricardo Kotscho, "uma boa oportunidade para Dilma responder a todas as dúvidas da população será nesta terça-feira, quando reunirá, pela primeira vez, seu novo ministério, em Brasília"
Desde a posse, no dia 1º de janeiro, "a presidente só foi vista em público na Bolívia, durante a cerimônia de posse de Evo Morales, em que se recusou a falar com os jornalistas", observa o jornalista; segundo Ricardo Kotscho, "uma boa oportunidade para Dilma responder a todas as dúvidas da população será nesta terça-feira, quando reunirá, pela primeira vez, seu novo ministério, em Brasília" (Foto: Gisele Federicce)


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247 - O jornalista Ricardo Kotscho volta a perguntar, como fez há alguns dias, em seu blog, por onde andará Dilma. Desta vez, ele acrescenta: será que a presidente já se arrependeu da reeleição? Desde a posse, no dia 1º de janeiro, "a presidente só foi vista em público na Bolívia, durante a cerimônia de posse de Evo Morales, em que se recusou a falar com os jornalistas", observa o blogueiro. "Uma boa oportunidade para Dilma responder a todas as dúvidas da população será nesta terça-feira, quando reunirá, pela primeira vez, seu novo ministério, em Brasília", escreve ele. Leia:

Será que Dilma já se arrependeu da reeleição?

Só a própria presidente Dilma Rousseff poderá responder à pergunta do título, pois é cada dia mais intrigante seu silêncio nestes 26 dias do novo governo. "Por onde andará Dilma?", perguntei aqui mesmo, quase duas semanas atrás, ao estranhar seu sumiço desde a posse. De lá para cá, a presidente só foi vista em público na Bolívia, durante a cerimonia de posse de Evo Morales, em que se recusou a falar com os jornalistas.

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Uma boa oportunidade para Dilma responder a todas as dúvidas da população será nesta terça-feira, quando reunirá, pela primeira vez, seu novo ministério, em Brasília. Com as medidas de arrocho até aqui anunciadas pelo ministro Joaquim Levy, da Fazenda, promovido a porta-voz do governo, sem qualquer agenda positiva no horizonte, fica difícil saber aonde Dilma quer chegar, qual é o seu plano de voo para o segundo mandato, se é que tem algum..

Mais impostos e cortes nos benefícios sociais para fazer o "ajuste fiscal", que devem render cerca de R$ 20 bilhões aos cofres do governo, aumentos da gasolina e nas contas de energia, ao mesmo tempo em que uma crise hídrica sem precedentes ameaça o abastecimento de água e luz nas áreas metropolitanas, uma onda de demissões no rastro da Operação Lava-Jato: o conjunto da obra de más notícias cresce a cada dia.

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Para completar o cenário negativo, que mais lembra final do que começo de governo, neste domingo teremos a reabertura do Congresso, com a eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado. Na Câmara, é quase certa a vitória do deputado carioca Eduardo Cunha, atual líder do PMDB, um desafeto declarado de Dilma, que promete complicar ainda mais a vida do governo nas relações já abaladas com os parlamentares da sua própria base aliada.

E ainda não é tudo: nas semanas seguintes, a Justiça e o procurador-geral Rodrigo Janot deverão divulgar oficialmente os nomes dos políticos denunciados no escândalo da Petrobras, que até agora só apareceram em depoimentos de delatores vazados para a imprensa.

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A sorte de Dilma, por enquanto, é que a oposição partidária também sumiu, com Aécio Neves se limitando a divulgar notas para criticar as medidas anunciadas pelo governo e denunciar o "estelionato eleitoral". De fato, pelo que vimos até agora, o "pacotinho" restritivo de Levy, para colocar em ordem as contas do governo, faz exatamente o que os economistas tucanos planejavam e que a presidente tanto criticou durante a campanha eleitoral.

Por isso, a maior oposição a Dilma vem de setores do próprio PT e dos partidos aliados, insatisfeitos com a formação do novo ministério e os rumos da política econômica. Ao tentar agradar a todos para garantir maioria no Congresso, dando uma fatia da Esplanada a cada um, sem levar em conta critérios de qualificação e representatividade social, a presidente conseguiu arrumar mais inimigos do que parceiros, ficando cada vez mais isolada no Planalto.

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Por que, afinal, Dilma lutou tanto pela sua reeleição? Já vou deixando bem claro que não fui e não sou adepto do "volta Lula", antes que alguém me interprete mal. Tudo na vida tem seu tempo, que não volta. Ao contrário : sou a favor da renovação de lideranças e da alternância no poder, desde que se apresentem, é claro, alternativas melhores e viáveis ao eleitorado.

Só queria saber o que move Dilma para enfrentar os duros quatro anos que terá pela frente, já que ela nunca teve um projeto político pessoal, e só chegou à presidência pela força das circunstâncias em 2010. Diante dos seus 39 ministros, amanhã, a presidente acidental terá agora a chance de clarear o horizonte, orientar a tropa e dizer o que pensa e o que quer para o país. Seria muito bom que o fizesse em transmissão ao vivo, convocando uma rede nacional de rádio e televisão, para que todos possamos saber o que nos espera.

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Como um dos seus 54 milhões de eleitores, acho que tenho este direito.

Vida que segue.

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