Kotscho: aonde chegamos; estamos nas mãos do “Centrão”
'De um jeito ou de outro, os 16 candidatos que se apresentaram até agora fazem parte do mesmo esquema, e a maioria tem pendências na Justiça. Quer dizer que não sobrou ninguém confiável? Sim, entre os 513 deputados devemos ter lá meia dúzia de parlamentares em condições políticas e morais de presidir a Câmara, mas nem se cogitou do nome de nenhum deles. Não seriam confiáveis para a bancada do "Centrão". Só entra no jogo quem faz ou fez parte do antigo "Baixo clero" liderado por Cunha, deputados que ele ajudou a eleger, com a contribuição generosa de grandes empresas, ao se colocar como um defensor da "iniciativa privada"', questiona o colunista Ricardo Kotscho
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Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kostcho
"Baixo clero" era um grupo de deputados fisiológicos sem expressão que barganhavam seus votos com os cardeais dos grande partidos do governo ou da oposição.
Agora, eles foram promovidos a "Centrão", a bancada pluripartidária de Eduardo Cunha, que domina a Câmara. Saíram do fundo do plenário e foram para o palco. A que ponto chegamos: estamos todos nas mãos deles, que vão eleger o novo presidente da Câmara para o lugar do renunciante Cunha.
Quem vai ganhar a eleição marcada para a noite de quarta-feira ( por que à noite?, ainda que mal me pergunte).
Tanto faz quem vai ser eleito. Não há a menor chance de melhorar. Quando Cunha foi afastado pelo STF, entrou Waldir Maranhão. Sempre dá para piorar.
De um jeito ou de outro, os 16 candidatos que se apresentaram até agora fazem parte do mesmo esquema, e a maioria tem pendências na Justiça.
Quer dizer que não sobrou ninguém confiável? Sim, entre os 513 deputados devemos ter lá meia dúzia de parlamentares em condições políticas e morais de presidir a Câmara, mas nem se cogitou do nome de nenhum deles.
Não seriam confiáveis para a bancada do "Centrão". Só entra no jogo quem faz ou fez parte do antigo "Baixo clero" liderado por Cunha, deputados que ele ajudou a eleger, com a contribuição generosa de grandes empresas, ao se colocar como um defensor da "iniciativa privada".
A cada dia, com as intermináveis revelações feitas pela Operação Lava Jato, fica mais evidente o tamanho do interesse destas empresas, em diferentes áreas de atividade, na confluência do público e do privado, que está na raiz desta inédita crise gêmea na política e na economia.
A renúncia de Eduardo Cunha não mudou nada neste cenário, pois tudo continua passando por ele, interessado unicamente em fazer acordos para salvar o mandato, zombando dos três poderes da República.
Se o Congresso Nacional é o mesmo, se os partidos são os mesmos, assim como os parlamentares que elegeram, por que haveria de mudar?
Esta insana disputa política, que envolve todos os partidos, para ficar apenas seis meses na presidência da Câmara, é o retrato acabado da falência do sistema político-partidário implantado pela Constituição de 1988.
Eduardo Cunha não é um só, são muitos _ ele apenas simboliza um ciclo que está chegando ao fim.
O que virá depois, ninguém ainda sabe, mas não dá mais para continuar do jeito que está, com o nosso país sendo comandado pelo "Centrão", que reúne partidos médios e pequenos, com uma boa parte do PMDB cunhista garantindo a sua maioria no plenário. Basta ver as figuras que dominam o noticiário. Dá tristeza, nojo e medo.
Chega!
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