Kennedy Alencar: Bolsonaro deve fracassar como Trump, mas pode legar danos à democracia
O jornalista Kennedy Alencar afirmou que Jair Bolsonaro “copia à risca o roteiro trumpista”. Nos EUA, Donald Trump alegou fraude eleitoral e incentivou a invasão do Parlamente norte-americano contra o resultado das eleições de 2020
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247 - Em coluna no UOL, o jornalista Kennedy Alencar ressaltou que a “defesa da democracia” é o tema central do debate público, apesar disso ser “absurdo” em 2021 com todo o caos social e ambiental que existe no Brasil. Segundo ele, o tema é fundamental diante das ameaças de Jair Bolsonaro ao regime político.
“Sem passar um dia sem criar uma crise artificial e atormentar o debate público, Bolsonaro não tem competência para nada, nem para ser ditador. Não há apoio na sociedade civil a um golpe. Tampouco existe atmosfera internacional como nos anos 60. No entanto, isso não significa que devam ser menosprezadas as ameaças cotidianas de Bolsonaro e seus aliados à democracia”, destacou.
Bolsonaro e Trump
Ele comparou Bolsonaro ao ex-presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump e reforçou que, em 2020, durante as eleições norte-americanas, “indagava-se se aquela democracia centenária resistiria a um segundo mandato de Donald Trump”. “Devemos fazer a mesma pergunta em relação ao Brasil e Bolsonaro”, disse. Trump foi derrotado por Joe Biden e não voltou ao poder.
“Vivendo em Washington no ano passado, vi que não foi fácil derrotar o obscurantismo no país mais poderoso do planeta. No Brasil, não será um passeio no parque enfrentar a máquina de fake news bolsonarista em 2022”, ressaltou, lembrando que “o uso da mentira como arma” favorecia o cenário pró-Trump e deve favorecer Bolsonaro.
“Bolsonaro não tem compromisso com a verdade nem com o país, apenas com a fuga em família da polícia, da Justiça e da CPI da Pandemia. Ele repete a estratégia de Trump de estressar a democracia o tempo todo com mentiras e manipulação política”, destaca.
Segundo o jornalista, “Bolsonaro é candidato a ditador, como Trump era” e “os dois jogaram e jogam fora da lei”, com “o método dos criminosos”. “Bolsonaro tende a fracassar como Trump fracassou, mas poderá deixar legado de danos se não for enfrentado com firmeza”, disse.
“Ambos adotaram projetos de destruição institucional que se revelaram parcialmente exitosos nos dois países. O envenenamento do debate público nos EUA não acabou com a derrota de Trump”, lembrou.
Ainda, Kennedy Alencar destaca que, assim como Trump, Bolsonaro fundamenta seus ataques em “teorias conspiratórias”, sobre o funcionamento de instituições da República e fraudes eleitorais. “A principal cartada da conspiração seriam urnas eletrônicas manipuláveis para dar votos ao PT. Bolsonaro copia à risca o roteiro trumpista”, diz.
Defesa da democracia
Por isso, o jornalista destaca que “é imperativo aprender com o processo eleitoral americano de 2020. Imprensa e sociedade civil não podem cometer os mesmos erros de 2018, quando normalizaram Bolsonaro e endossaram a demonização da política capitaneada pela Lava Jato, que apoiou o genocida”.
Nesse sentido, denunciou a falsa equivalência que fazem entre Bolsonaro e o ex-presidente Lula (PT). “No poder, o PT jogou o jogo democrático. Bolsonaro não joga”, destacou, lembrando que “é urgente que o Brasil trace uma linha clara separando os democratas de Bolsonaro e seus bárbaros”.
“Há um embate, sim, entre democracia e autoritarismo. Autoridades cúmplices e omissas estão perdendo a chance de demonstrar lealdade às instituições”, ressaltou, dizendo que é “crime” atentar contra as instituições brasileiras, pedindo o fechamento do STF, por exemplo. “Bolsonaro é criminoso”, concluiu.
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