Kennedy Alencar: Bolsonaro deve fracassar como Trump, mas pode legar danos à democracia

O jornalista Kennedy Alencar afirmou que Jair Bolsonaro “copia à risca o roteiro trumpista”. Nos EUA, Donald Trump alegou fraude eleitoral e incentivou a invasão do Parlamente norte-americano contra o resultado das eleições de 2020

(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Carlos Barria/Reuters)


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247 - Em coluna no UOL, o jornalista Kennedy Alencar ressaltou que a “defesa da democracia” é o tema central do debate público, apesar disso ser “absurdo” em 2021 com todo o caos social e ambiental que existe no Brasil. Segundo ele, o tema é fundamental diante das ameaças de Jair Bolsonaro ao regime político.

“Sem passar um dia sem criar uma crise artificial e atormentar o debate público, Bolsonaro não tem competência para nada, nem para ser ditador. Não há apoio na sociedade civil a um golpe. Tampouco existe atmosfera internacional como nos anos 60. No entanto, isso não significa que devam ser menosprezadas as ameaças cotidianas de Bolsonaro e seus aliados à democracia”, destacou.

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Bolsonaro e Trump

Ele comparou Bolsonaro ao ex-presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump e reforçou que, em 2020, durante as eleições norte-americanas, “indagava-se se aquela democracia centenária resistiria a um segundo mandato de Donald Trump”. “Devemos fazer a mesma pergunta em relação ao Brasil e Bolsonaro”, disse. Trump foi derrotado por Joe Biden e não voltou ao poder.

“Vivendo em Washington no ano passado, vi que não foi fácil derrotar o obscurantismo no país mais poderoso do planeta. No Brasil, não será um passeio no parque enfrentar a máquina de fake news bolsonarista em 2022”, ressaltou, lembrando que “o uso da mentira como arma” favorecia o cenário pró-Trump e deve favorecer Bolsonaro.

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“Bolsonaro não tem compromisso com a verdade nem com o país, apenas com a fuga em família da polícia, da Justiça e da CPI da Pandemia. Ele repete a estratégia de Trump de estressar a democracia o tempo todo com mentiras e manipulação política”, destaca.

Segundo o jornalista, “Bolsonaro é candidato a ditador, como Trump era” e “os dois jogaram e jogam fora da lei”, com “o método dos criminosos”. “Bolsonaro tende a fracassar como Trump fracassou, mas poderá deixar legado de danos se não for enfrentado com firmeza”, disse. 

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“Ambos adotaram projetos de destruição institucional que se revelaram parcialmente exitosos nos dois países. O envenenamento do debate público nos EUA não acabou com a derrota de Trump”, lembrou.

Ainda, Kennedy Alencar destaca que, assim como Trump, Bolsonaro fundamenta seus ataques em “teorias conspiratórias”, sobre o funcionamento de instituições da República e fraudes eleitorais. “A principal cartada da conspiração seriam urnas eletrônicas manipuláveis para dar votos ao PT. Bolsonaro copia à risca o roteiro trumpista”, diz.

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Defesa da democracia

Por isso, o jornalista destaca que “é imperativo aprender com o processo eleitoral americano de 2020. Imprensa e sociedade civil não podem cometer os mesmos erros de 2018, quando normalizaram Bolsonaro e endossaram a demonização da política capitaneada pela Lava Jato, que apoiou o genocida”. 

Nesse sentido, denunciou a falsa equivalência que fazem entre Bolsonaro e o ex-presidente Lula (PT). “No poder, o PT jogou o jogo democrático. Bolsonaro não joga”, destacou, lembrando que “é urgente que o Brasil trace uma linha clara separando os democratas de Bolsonaro e seus bárbaros”. 

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“Há um embate, sim, entre democracia e autoritarismo. Autoridades cúmplices e omissas estão perdendo a chance de demonstrar lealdade às instituições”, ressaltou, dizendo que é “crime” atentar contra as instituições brasileiras, pedindo o fechamento do STF, por exemplo. “Bolsonaro é criminoso”, concluiu.

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