Jornalistas da EBC denunciam que sofreram censura na cobertura do caso "Marielle Franco"

Em carta enviada recentemente à cúpula da EBC, jornalistas da emissora estatal denunciam a censura a que estariam submetidos os veículos da Casa na cobertura das investigações do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. "O silêncio da EBC torna patente para o cidadão a linha editorial chapa-branca que hoje vigora no jornalismo da empresa", denuncia o comunicado

(Foto: ABr | Reuters | Mídia Ninja)


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247 - Um grupo de jornalistas da estatal "Empresa Brasil de Comunicação" (EBC) denuncia, em uma carta entregue à cúpula do grupo, a prática de censura estabelecida no local. No comunicado, os jornalistas afirmam que levaram mais de 15 horas para noticiar os fatos revelados pelo Jornal Nacional em relação ao depoimento do porteiro que citou Jair Bolsonaro no interrogatório. 

O jornalistas afirmam também que outros veículos da EBC sequer teriam noticiado o caso. A revelação partiu da coluna Radar, da VEJA. 

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“É grave a postura da empresa que foge do seu papel de noticiar oportunamente, com credibilidade e isenção esta informação. Tanto a sociedade brasileira como agências e veículos internacionais de notícias procuram a EBC como fonte de notícia”, diz a carta remetida por uma fonte da emissora.

Leia a íntegra da carta: 

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“Prezadas Sirley Batista e Cristiane Samarco,

Os jornalistas da Empresa Brasil de Comunicação vêm, por meio deste, questionar o motivo que levou os veículos da EBC a entrarem tão tardiamente na cobertura da repercussão sobre as investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Levamos mais de 15 horas depois da fala do presidente da República, que veio a público dar suas explicações, por meio de uma transmissão ao vivo nas redes sociais, para publicar a primeira reportagem sobre o assunto na Agência Brasil. Passadas mais de 17 horas o tema continua silenciado nas nossas rádios. Importante lembrar que se as reportagens de outros veículos nem sempre viram pauta na EBC, as transmissões da Presidência da República são, constantemente, cobertas pelos nossos veículos e estão sempre nas pautas. É grave a postura da empresa que foge do seu papel de noticiar oportunamente, com credibilidade e isenção esta informação. Tanto a sociedade brasileira como agências e veículos internacionais de notícias procuram a EBC como fonte de notícia. Exigimos respostas da direção e repudiamos mais uma vez a censura a que estão submetidos os veículos da empresa, que os impede de noticiar questões relevantes como essa. Nesse sentido, solicitamos uma audiência com a diretora de jornalismo com participação da ouvidoria da empresa para debater o silêncio, em alguns casos, e a demora em relação a esta pauta. Mais uma vez lembramos que a EBC é uma empresa de comunicação pública, com missão definida, função constitucional assegurada e um manual de jornalismo que deve nortear todas as nossas coberturas e não ser esquecido no fundo da gaveta quando convém. A decisão editorial equivocada de silenciar, ou avaliar com longa espera, sobre a notícia mais importante do dia faz com que a EBC perca o respeito e a credibilidade perante a sociedade, a quem devemos servir. Incapaz de fazer a pauta sumir dos noticiários, o silêncio da EBC sobre ela apenas torna patente para o cidadão a linha editorial chapa-branca que hoje vigora no jornalismo da empresa. Aguardamos uma resposta sobre nosso pedido de audiência.

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Atenciosamente,

Comissão de Empregados”

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