Jornal belga critica condenação sem provas de Lula

"Para milhões de brasileiros cansados ​​de uma classe política podre até os ossos, ele é um herói da luta contra a corrupção, e eles o aclamam como a uma estrela. Mas para aqueles que ainda apoiam a esquerda, ele é um homem de direita instrumentalizando a justiça para erradicar o Partido dos Trabalhadores do espectro político. A maneira como ele condenou nesta quarta-feira em primeira instância o ex-presidente Lula a quase 10 anos de prisão reforça essa dupla estatura", diz reportagem do Le Soir, maior jornal belga, sobre Sergio Moro

Juiz federal Sérgio Moro
Juiz federal Sérgio Moro (Foto: Leonardo Attuch)


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Por Miguel do Rosário, editor do Cafezinho

A tradução abaixo, de uma reportagem publicada no jornal francês Le Soir, foi feita por uma internauta amiga.

O Cafezinho vai publicar traduções de artigos da imprensa estrangeiras que ofereçam uma narrativa diferente daquela contada pela Globo e pela grande mídia brasileira de maneira geral.

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Sergio Moro, o juiz que acaba de « pegar » Lula

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Aclamado como um rock star pela oposição, o juiz Moro ataca aos mais ricos e mais poderosos. Ele acaba de condenar Lula a quase 10 anos de prisão.

Por Veronique Kiesel
Publicado online em 13/07/2017 à 16 :45

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Para milhões de brasileiros cansados ​​de uma classe política podre até os ossos, ele é um herói da luta contra a corrupção, e eles o aclamam como a uma estrela. Mas para aqueles que ainda apoiam a esquerda, ele é um homem de direita instrumentalizando a justiça para erradicar o Partido dos Trabalhadores do espectro político. A maneira como ele condenou nesta quarta-feira em primeira instância o ex-presidente Lula a quase 10 anos de prisão reforça essa dupla estatura.
Sergio Moro, 44 anos, endossa de qualquer modo com brilhantismo o papel do « pequeno juiz » sem medo, ousando atacar aos ricos e aos poderosos. Juiz de primeira instância em Curitiba, capital do Estado do Paraná, especialista em investigações financeiras, ele trabalha há três anos sobre um caso de lavagem de dinheiro nessa cidade, que o levou a monitorar um posto de gasolina gerido por um certo Alberto Youssef, campeão de operações de câmbio ilegais.

« Se eu falo, a República cai »

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Puxando este fio, ele caiu sobre o bolo gigante de um caso envolvendo a Petrobrás, as maiores empresas brasileiras de construção e de obras públicas e de políticos de todos os lados, corrompidos por essas empresas. Nome genérico do processo: “Lava Jato” (lavagem expressa), o nome do posto de gasolina de Youssef.

Preso em março de 2014, o referido Youssef teria, segundo o New York Times, declarado aos investigadores, antes de fazer sua confissão: “Pessoal, se eu falo, a República vai cair.” Bem observado.

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Desde então, de fato, o juiz Moro tem feito uma limpeza radical no mundo empresarial e político: através de atos de instrução conduzidos às pressas, ele já obteve múltiplas condenações de políticos, de altos executivos da Petrobras ou de donos de grandes construtoras. E revelou quase 10 bilhões de euros em desvios de fundos.

A Italia dos anos 90

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Formado particularmente nos Estados Unidos, em Harvard, Sérgio Moro estudou de perto o desenrolar da operação Mani Pulite (Mãos Limpas) que atacou a corrupção dos políticos na Itália nos anos 90. Segundo ele, o Brasil de hoje está no mesmo estado de decadência que estava então a Itália, onde os políticos achavam normal receber “presentes” das empresas envolvidas nas contratações públicas.

«É um magistrado tecnicamente preparado, com uma capacidade de trabalho extraordinária e experiência de processo à grande escala”, estima o presidente da Associação dos juízes federais Antonio Bochenek. Mas qual é o método desse juiz? Para quebrar os mais durões, ele usa sem moderação da lei que permite a um acusado que fala de se beneficiar de uma redução de pena. Sua segunda arma é a prisão preventiva. Colocados na “geladeira”, isolados, os acusados decidem em geral contar tudo o que sabem para salvar a pele. E tanto melhor se eles apontarem para alguns figurões…

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Mas ele não tem somente amigos. “Moro instituiu a prisão preventiva como regra, quando em qualquer país civilizado isto é uma exceção”, criticou no El País Antonio Carlos de Almeida, o advogado de vários acusados.

Moro não dá entrevistas à imprensa, mas seguidamente recorre, quando isto lhe convém, a vazamentos para algumas grandes mídias. E enquanto que todos os partidos brasileiros estão implicados nesse caso, o juiz parece sobretudo perseguir o PT. Mesmo se Sergio Moro negue orientar politicamente suas investigações, sua imparcialidade já foi posta em dúvida.

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