Indicador subestima queda da renda e retrocesso é pior do que parece, diz Neri
O retrocesso social observado no Brasil desde 2015 é ainda pior do que mostra a estagnação do Índice de Desenvolvimento Humano, calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), avalia o pesquisador Marcelo Neri, diretor da FGV Social; "Os dados apontam um empate, que a gente não costuma ver como bom resultado, mas na verdade o que tivemos foi uma derrota grande. O retrato é pior quando você olha para indicadores mais abrangentes, e principalmente mais atuais"
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247 - O retrocesso social que acontece no Brasil desde 2015 é ainda pior do que mostra a estagnação do Índice de Desenvolvimento Humano, calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), afirma o pesquisador Marcelo Neri, diretor da FGV Social. "Os dados apontam um empate, que a gente não costuma ver como bom resultado, mas na verdade o que tivemos foi uma derrota grande. O retrato é pior quando você olha para indicadores mais abrangentes, e principalmente mais atuais".
As informações são de reportagem do Valor.
"Neri afirma que a discrepância se dá porque o cálculo do IDH leva em conta o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, mas, para medir o bem-estar social, o dado mais relevante é a renda, que teve queda expressiva. 'A pobreza já aumentou muito em 2015 e provavelmente em 2016', afirma o pesquisador. Comparando as perdas por estrato social, Neri cita, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que enquanto a renda média do país caiu 7,04% naquele ano, a renda dos 5% mais pobres caiu 14%. A dos que ganham acima da mediana da distribuição de renda, que são os que recebem salários ou benefícios previdenciários corrigidos pelo salário mínimo, caiu menos: 3,8%.
'Embora se fale que a recessão é a pior da história sob a ótica do PIB, a recessão do ponto de vista social é ainda pior', diz.
Para Neri, o ano de 2015 foi um mau exemplo de como aplicar o dinheiro público sem amenizar efeitos sociais da recessão, ou tampouco fortalecer a economia. 'Os grandes perdedores foram os pobres, e de onde veio essa perda? De um congelamento nominal do Bolsa Família por dois anos, de 2014 a 2016, quando a inflação alcançou dois dígitos', afirmou. Ele destaca que em 2015 a pobreza cresceu 19,33% no país, com o ingresso de 3,6 milhões de pessoas. Na estimativa da FGV, é pobre a pessoa que ganha aproximadamente R$ 210 per capita por mês, valor ajustado pelo custo de vida de cada região. 'A extrema pobreza ela aumentou mais, 23%'."
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