Greenwald: “Impeachment é algo muito forte contra a democracia”

Jornalista Glenn Greenwald, conhecido mundialmente por ter sido o jornalista escolhido por Edgar Snowden para revelar ao mundo a espionagem em massa do governo americano, via NSA, disse que o impeachment da presidente Dilma Rousseff tem como objetivo "destruir um partido que ganhou quatro eleições consecutivas que os adversários não conseguiram vencer nas urnas e é estão buscando uma possibilidade de destruir o partido fora do processo democrático e colocando uma pessoa que nunca poderá ser eleita como presidente no lugar de Dilma. E isso é algo muito forte", afirmou; ele também questionou o real papel da Operação Lava Jato e disse que as pessoas estão começando a perceber que "o motivo não é punir a corrupção, é o oposto, é proteger a corrupção"

FILE - In this June 11, 2013, file photo Britain's The Guardian newspaper reporter Glenn Greenwald talks to The Associated Press in Hong Kong. Greenwald first reported former NSA contractor Edward Snowden's disclosure of NSA's government surveillance prog
FILE - In this June 11, 2013, file photo Britain's The Guardian newspaper reporter Glenn Greenwald talks to The Associated Press in Hong Kong. Greenwald first reported former NSA contractor Edward Snowden's disclosure of NSA's government surveillance prog (Foto: Paulo Emílio)


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247- O jornalista Glenn Greenwald, conhecido mundialmente por ter sido o jornalista escolhido por Edgar Snowden para revelar ao mundo a espionagem em massa do governo americano, via NSA, questionou o papel da operação Lava Jato no combate a corrupção e disse que as pessoas estão começando a perceber que "o motivo não é punir a corrupção, é o oposto, é proteger a corrupção".

Segundo Greenwald, "no minuto que a Dilma sair, Globo, Veja o Estadão vão perder muito interesse no escândalo da Lava Jato e com a história sobre corrupção. Acho que o público vai ser persuadido a achar que o problema foi resolvido. E um grupo novo em Brasília, que vai ter muito mais poder, Cunha ou Temer ou os aliados deles implicados em corrupção, poderá usar o poder deles para matar essa investigação. Para mim esse é o objetivo com o impeachment", disse o jornalista em entrevista ao jornal A Crítica.

Greenwald disse, ainda, que o vazamento de informações como no caso da Lava Jato pode contribuir para fortalecer a democracia, mas também podem ser extremamente prejudiciais quando os vazamentos possuem "fundo político." Eu acho que tem uma parte muito importante com a Lava Jato que está fortalecendo a democracia porque está mostrando que independente do poder, da posição e da riqueza, todas as pessoas estão sujeitas a lei. E há muitos países, como os Estados Unidos, onde as pessoas muito poderosas ainda estão acima da lei. Então para mim é muito bom ver empresários e políticos influentes indo para a prisão por corrupção", disse.

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Apesar disso, ele ressalta que o "abuso de poder" pode trazer perigos. "O problema está em como o processo judicial tem cunho político, e não é tema, é o poder que isso tem gerado. Está havendo um abuso de poder muito perigoso. Eu estava apoiando muito a operação até o mandado de condução coercitiva do Lula e a divulgação das conversas entre ele e Dilma e outras pessoas. Nesse momento mostrou que agora o motivo é político e para mim isso é algo muito perigoso", afirmou.

Para o jornalista, mais importante do que a discussão se o que está acontecendo no Brasil é pode ou não ser considerado um golpe, é saber se isso fortalece ou não a democracia. "Para mim, a questão mais importante e interessante é: isso está atacando ou fortalecendo a democracia? E acredito ser algo muito forte contra a democracia. O objetivo é destruir um partido que ganhou quatro eleições consecutivas que os adversários não conseguiram vencer nas urnas e é estão buscando uma possibilidade de destruir o partido fora do processo democrático e colocando uma pessoa que nunca poderá ser eleita como presidente no lugar de Dilma. E isso é algo muito forte", observou.

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Leia a íntegra da entrevista aqui.

 

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