Golpista, Globo tenta lavar biografia, diz Fernando Morais

"Com um passado de apoio a golpes de estado, defensoras de regimes de força e algozes da Petrobras e da soberania nacional, as Organizações Globo e a família Marinho agora tentam lavar sua própria biografia", diz o escritor Fernando Morais, ao comentar o caso William Waack

"Com um passado de apoio a golpes de estado, defensoras de regimes de força e algozes da Petrobras e da soberania nacional, as Organizações Globo e a família Marinho agora tentam lavar sua própria biografia", diz o escritor Fernando Morais, ao comentar o caso William Waack
"Com um passado de apoio a golpes de estado, defensoras de regimes de força e algozes da Petrobras e da soberania nacional, as Organizações Globo e a família Marinho agora tentam lavar sua própria biografia", diz o escritor Fernando Morais, ao comentar o caso William Waack (Foto: Leonardo Attuch)


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Por Fernando Morais, no Nocaute

Em meio a uma gravação realizada durante as eleições norte-americanas do ano passado, o jornalista William Waack, sem saber que as câmeras estavam ligadas, reclama de alguém que buzina nas ruas de Washington. Irritado com o barulho, ele diz a seu entrevistado, o também jornalista brasileiro Paulo Sotero:

– É preto. É coisa de preto.

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Os dois gargalham. O vídeo só vazou hoje na Internet e em minutos viralizou. Acuadas pela repercussão da manifestação de racismo – crime, segundo as leis brasileiras – as Organizações Globo não viram alternativa senão se livrarem do arrasto. Em nota oficial, a Globo informa que o gato de Waack subiu no telhado. Esta é a nota oficial da rede de tevê (vista por cem milhões de brasileiros, diz ela, em anúncio):

“A Globo é visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações. Nenhuma circunstância pode servir de atenuante. Diante disso, a Globo está afastando o apresentador William Waack de suas funções em decorrência do vídeo que passou hoje a circular na internet, até que a situação esteja esclarecida.

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Nele, minutos antes de ir ao ar num ao vivo durante a cobertura das eleições americanas do ano passado, alguém na rua dispara a buzina e, Waack, contrariado, faz comentários, ao que tudo indica, de cunho racista.

Waack afirma não se lembrar do que disse, já que o áudio não tem clareza, mas pede sinceras desculpas àqueles que se sentiram ultrajados pela situação.

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William Waack é um dos mais respeitados profissionais brasileiros, com um extenso currículo de serviços ao jornalismo. A Globo, a partir de amanhã, iniciará conversas com ele  para decidir como se desenrolarão os próximos passos.”

A Globo ameaça “iniciar conversas” com Waack. Nada indica que ele será demitido. Poderá, no máximo, receber um funeral de luxo (uma “love letter”, no jargão das redações), como um quinquênio sabático em alguma cidade do circuito Elisabeth Arden.

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Pelo menos por prudência, os Marinho deveriam se lembrar da célebre frase de Paulo Vieira de Souza, o “Paulo Preto”, que botou José Serra de joelhos:

– Não se larga um líder ferido na estrada em troca de nada.

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