Globo muda seu modelo de negócio e jornalista vira garoto-propaganda

A Rede Globo, diante das crescentes quedas de audiência, que afugentam seus anunciantes, a resolveu inovar; a partir de agora, os jornalistas da emissora também serão obrigados a cumprir o papel de garotos-propaganda; não se espante se, em 2018, você ouvir Galvão Bueno, Cleber Machado e Luis Roberto, entre outros, mencionando marcas de patrocinadores durante as transmissões esportivas da Globo; este ‘diferencial’ foi oferecido aos anunciantes durante a negociação dos pacotes comerciais para o ano que vem

Rede golpe de televisão
Rede golpe de televisão (Foto: Giuliana Miranda)


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Por Altamiro Borges, em seu blog

Com as crescentes quedas de audiência, que afugentam os anunciantes, a Rede Globo resolveu inovar. A partir de agora, segundo Mauricio Stycer, os jornalistas da emissora também serão obrigados a cumprir o papel de garotos-propaganda. “Não se espante se, em 2018, você ouvir Galvão Bueno, Cleber Machado e Luis Roberto, entre outros, mencionando marcas de patrocinadores durante as transmissões esportivas da Globo. Este ‘diferencial’ foi oferecido aos anunciantes durante a negociação dos pacotes comerciais para o ano que vem”. Ou seja: a profissão já tão desvalorizada vai afundar ainda mais no pântano mercadológico!

Ainda de acordo com a reportagem postada no UOL, “a novidade está causando desconforto interno. O problema é que o contrato destes profissionais proíbe explicitamente que façam publicidade. Por isso, estão sendo todos chamados a assinar um ‘adendo’ contratual, no qual concordam em mencionar especificamente as marcas durante as transmissões. Eles seguem proibidos de fazer outros tipos de ações comerciais. Ainda assim, trata-se de uma mudança importante – e simbólica – na política interna da Globo, que até hoje proibia estes profissionais de fazer publicidade”.

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Esta mudança na política interna foi imposta pela “unidade de negócios” criada na área de esportes da Globo logo após a “queda” misteriosa do ex-chefão Marcelo Campos Pinto – agora acusado de intermediar propinas no chamado escândalo da Fifagate, que investiga os bilionários negócios da transmissão de futebol. O setor hoje é comandado por um dos herdeiros da famiglia Marinho, Roberto Marinho Neto. Questionada pela reportagem sobre a alteração, a emissora respondeu: “A nova unidade do Esporte tem como uma das frentes ampliar o olhar sobre oportunidades junto aos clientes, estudando inclusive modelos mais próximos ao entretenimento. Como parte do processo, ajustes serão feitos aos contratos ou adendos para melhor adequação”.

Mauricio Stycer ainda informa que “os profissionais não ganharão nada a mais por este serviço. Alguns já assinaram o adendo e outros seguem negociando as condições. Quem não topar, possivelmente, deixará de atuar em jogos transmitidos pela Globo, ficando com atuação limitada ao SporTV e ao site globoesporte.com. A unificação da área de esportes da Globo resultou num pacote de demissões em outubro. Outra medida já sendo adotada é a redução de salários de narradores e comentaristas em época de renovação contratual”. A famiglia Marinho força seus jornalistas a virarem garotos-propaganda e ainda demite e corta salários. E ainda tem jornalista que chama o patrão de companheiro!

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Em tempo: Em julho passado, a comentarista de economia Mara Luquet preferiu se antecipar na função de garota-propaganda. Ela pediu demissão da empresa, onde exibia um quadro sobre finanças pessoais no “Jornal da Globo” e ainda tinha participações nos telejornais da GloboNews e da rádio CBN, e foi trabalhar para o Bradesco. Ou seja, optou por atuar sem intermediários, promovendo uma das principais corporações financeiras do país. Ela foi mais uma das jornalistas da Globo a trocar a notícia pela publicidade. Nos últimos anos, outras celebridades globais adotaram posturas similares. Fátima Bernardes, Pedro Bial, Patrícia Poeta e Tiago Leifert também migraram do jornalismo para a área de entretenimento – que permite publicidade –, e com isso hoje ganham fortunas. Sem vacilar, Mara Luquet explicou: “Saí da Globo para investir em mim mesma”.

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