Globo faz campanha pela venda da Eletrobras dizendo que luz ficará barata

Matéria publicada nesta terça-feira, em O Globo, defende em manchete decisão da última segunda-feira de Temer que tem como objetivo edulcorar a venda da Eletrobras, a maior empresa de energia da América Latina, para vencer as resistências; de acordo com decisão do Planalto, parte do dinheiro arrecadado com a privatização da estatal será destinado a evitar uma alta maior nas contas de luz a partir de 2019

Edifício da Eletrobras no centro do Rio de Janeiro 20/08/2014 REUTERS/Pilar Olivares
Edifício da Eletrobras no centro do Rio de Janeiro 20/08/2014 REUTERS/Pilar Olivares (Foto: José Barbacena)


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Revista Fórum - Matéria publicada nesta terça-feira (7), em O Globo, defende em manchete decisão da última segunda-feira (6) de Temer que tem como objetivo edulcorar a venda da Eletrobras, a maior empresa de energia da América Latina, para vencer as resistências. De acordo com decisão do Planalto, parte do dinheiro arrecadado com a privatização da estatal será destinado a evitar uma alta maior nas contas de luz a partir de 2019.

Vários especialistas, no entanto, discordam veementemente. Para a ex-presidente Dilma Roussef, a privatização trará resultados catastróficos: “Como ocorreu em 2001, no Governo do FHC, significa deixar o país sujeito a apagões. O resultado é um só: o consumidor vai pagar uma conta de luz estratosférica por uma energia que não terá fornecimento garantido”.

Chamando o atual governo de “ilegítimo”, Dilma afirma que a privatização significa vender o patrimônio do povo brasileiro para cumprir uma meta “irreal”. “Já entregaram as termelétricas da Petrobras. Pretendem vender na bacia das almas nossas principais hidrelétricas e linhas de transmissão”, afirmou Dilma.

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De acordo com artigo publicado pelo jornalista e economista Luis Nassif, “a avaliação prévia de agosto deste ano, de R$ 20 bilhões, equivale a menos da metade de uma usina como Belo Monte. A Eletrobrás tem 47 usinas hidroelétricas, 114 térmicas e 69 eólicas, com capacidade de 47.000 MW, o que a faz provavelmente a maior geradora de energia elétrica do planeta. É uma empresa tão estratégica quanto a Petrobras”.

Nassif diz ainda que “o anúncio de venda da Eletrobras para fazer caixa é uma das iniciativas mais aberrantes do governo Temer. A ideia da “democratização do capital” e a comparação com a Vale e a Embraer é esdrúxula. Ambas estão na economia competitiva enquanto a Eletrobrás é uma concessionária de serviços públicos, estratégica para o país”.

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Comoção na Bovespa

Em matéria de agosto deste ano, o jornal El País chama a Eletrobras de “a joia da coroa do programa privatizador de Temer”. De acordo com a reportagem, o anúncio da privatização provocou comoção na Bovespa, mas o consenso entre especialistas ouvidos é que os detalhes sobre a operação especial planejada para as mudanças na estatal ainda são pouquíssimos. Um verdadeiro mar de incertezas ronda a possível venda da empresa, hoje responsável por 31% da capacidade da geração de energia do país e por 47% das linhas de transmissão.

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Outro que aposta no aumento das tarifas é o analista econômico Miguel Daoud. Para ele, a teoria do ministro de Minas e Energias, de que a privatização pode reduzir a conta de luz, é equivocada. O efeito, segundo o economista, deve ser justamente o inverso: o aumento nas tarifas.”

Mesmo para especialistas mais liberais, a decisão de privatizar foi acelerada por conta da situação econômica do país e também pelo tamanho do déficit das contas públicas. “Toda a motivação é a necessidade de recurso para o Tesouro Nacional. A Eletrobras já não vinha desempenhando um papel importante ou estratégico no setor elétrico, muito por conta dos problemas financeiros que ela enfrentava”, explica Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), do Instituto de Economia da UFRJ.

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O professor pondera, entretanto, que há riscos quando o Estado brasileiro perde um instrumento de política energética. “Uma coisa é você estar em um país desenvolvido, outra é estar em um país como o Brasil com uma heterogeneidade econômica e regional muito grande, com muitos lugares com necessidade de crescimento e mais capacidade de transmissão. No futuro, você pode correr o risco de ficar refém do privado”, afirma Castro.

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