Globo defende tese de Moro para cassar Dilma e Temer
Em editorial, jornal dos Marinho afirma que chapa Dilma-Temer foi abastecida por propina; caso o TSE encampe essa tese, o senador Aécio Neves, mesmo derrotado, poderá ser empossado presidente; ontem, o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, afirmou que nenhum delator que prestou depoimento na Lava Jato disse que o dinheiro doado à campanha da presidente Dilma Rousseff tinha origem ilícita; "Chega a ser patético", disse
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247 – O jornal ‘O Globo’, dos irmãos Marinho, defendeu a tese do juiz Sérgio Moro, para cassar a chapa da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer, em processo no TSE. Se o argumento for aceito, o senador Aécio Neves, mesmo derrotado, poderá ser empossado presidente.
Ontem, o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, afirmou que nenhum delator que prestou depoimento na Lava Jato disse que o dinheiro doado à campanha da presidente Dilma Rousseff tinha origem ilícita: "Fala-se de 'campanhas', que houve 'doações'. Da onde se tira que foi a campanha da presidente Dilma, especificamente, e não todas as outras que também receberam doações das empreiteiras? Chega a ser patético", disse.
Leia o editorial do Globo abaixo :
Dilma terá no TSE um difícil embate
Além da crise econômica, ação na Justiça eleitoral sobre a ‘ lavagem’ de propinas deve chamar a atenção da presidente, pois parece ameaça maior que o impeachment
São demais os problemas que cercam a presidente Dilma. É bem verdade que parte substancial deles, representada pela crise fiscal e assustadores desdobramentos, é de sua responsabilidade em associação com o presidente Lula, no segundo mandato deste.
Se não houvessem decidido exercitar a esperteza e aproveitar a crise mundial, a partir de fins de 2008, para colocar em cena, como aprendizes de feiticeiro, a velha agenda econômica do PT, as finanças internas não teriam explodido.
Porém, o mal foi feito, e resta a Dilma se livrar da herança maldita, o que, infelizmente para o povo e o país, ela não tem conseguido por teimosia ideológica — Dilma não considera necessário um ajuste fiscal.
Se os prognósticos para a economia continuam de arrepiar, acaba de aparecer no radar da presidente, e do seu vice, Michel Temer, a tempestade carregada do julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral ( TSE) de ações movidas pelo PSDB contra a legalidade da vitória da chapa PT- PMDB em 2014. Dos quatro processos, um deve preocupar o Palácio. Para instruí- lo é que o juiz Sérgio Moro, de Curitiba, da Lava- Jato, enviou, em outubro, documentos com tóxicas provas colhidas pela operação.
Elas foram apensadas à Ação de Impugnação de Mandato Eletivo ( Aime), movida pelo PSDB, e comprovam, a considerar depoimentos dados na Lava- Jato, que houve “lavagem” na Justiça eleitoral de propina garimpada por empreiteiras em conluio com dirigentes da Petrobras e partidos ( PT, PP, PMDB). Assim, dinheiro proveniente do superfaturamento de contratos assinados com a estatal, por meio do esquema lulopetista do petrolão, irrigou o caixa de campanha de candidatos, a começar por Dilma e Temer, vitoriosos na busca pela reeleição. Por isso, o PT, procurado toda vez que surge algum fato em torno do assunto, repete o mantra de que “todas as doações foram legais”. Sim, mas e a origem do dinheiro?
Já existe, inclusive, uma condenação, por Moro, do ex- tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso em Curitiba. Condenado em setembro do ano passado a 15 anos e quatro meses de prisão em regime fechado, Vaccari, segundo denúncia do MP aceita pelo juiz, recebeu R$ 4,26 milhões desviados da estatal e os repassou ao PT, “legalmente”.
“Lavagens” de dinheiro de corrupção na Justiça eleitoral foram objeto de vários depoimentos de personagens- chave no petrolão: Paulo Roberto Costa, ex- diretor da Petrobras; Pedro Barusco, exgerente de Serviços da estatal, o “homem de 100 milhões de dólares”; o operador financeiro Alberto Youssef e o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC. Parece uma ameaça maior que o impeachment.
Esta ação trata de um ponto central do escândalo, o da adulteração de resultados eleitorais pelo poder do dinheiro subterrâneo da política. Este, segundo o próprio Moro, o aspecto mais reprovável do petrolão. As atenções da presidente terão de se dividir entre a crise e o que acontecerá neste processo no TSE.
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