Globo comemora alta da taxa de juros
Jornal do grupo editorial da família Marinho diz que política do Banco Central, de Alexandre Tombini, é remédio necessário contra a inflação: “índices deram uma trégua mas há vários preços represados e se aproxima o período do ano em que ocorrem reajustes automáticos ou previamente contratados”
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247 – O jornal Globo, do grupo editorial da família Marinho, apoiou no editorial desta sexta-feira a alta da taxa de juros, política mantida pelo BC em combate contra a inflação. Leia:
Juros são remédio necessário contra a inflação
Os índices deram uma trégua mas há vários preços represados e se aproxima o período do ano em que ocorrem reajustes automáticos ou previamente contratados
O remédio é amargo, mas necessário. Com a alta de 0,5 ponto percentual decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), o Brasil voltou a ter a mais elevada taxa básica real de juros entre as principais economias. Mas também é aqui que a inflação tem se mostrado mais resistente, mantendo-se perigosamente próxima ao teto da meta governamental (6,5%) por vários meses. Os índices até que deram alguma trégua, porém é notório que vários preços encontram-se represados.
Tarifas de transporte públicos e pedágios foram “congelados” pelos poderes concedentes por pressão de manifestações de protesto no mês de junho. Gasolina e óleo diesel estão sendo vendidos abaixo das cotações internacionais, embora a Petrobras continue importando grandes volumes desses combustíveis. Por isso, a inflação dos preços livres está acima de 7% e a dos administrados, pouco mais de 1%.
O uso recorrente de usinas térmicas pesará mais na conta de luz a partir de 2014 (as distribuidoras de eletricidade começam a alertar os consumidores para essa possibilidade). O impacto da desvalorização do real frente ao dólar não foi completamente digerido. Além disso, há os chamados fatores sazonais (entressafra, reajustes de anuidades escolares, salário mínimo, etc) que sempre pressionam os índices nos primeiros meses do ano.
O governo Dilma demorou a reagir a esse perigoso comportamento dos preços, dando até a impressão que havia abandonado o objetivo de atingir o ponto central (4,5%) da meta. Gastos públicos excessivos minguaram os superávits primários, e assim a política fiscal, em vez de contribuir para segurar a inflação, passou a alimentá-la.
Só restou mesmo a opção do aperto monetário. Desde abril o Banco Central vem elevando as taxas básicas de juros que agora atingiram outra vez o patamar de 9,5% ao ano. No mercado financeiro, a expectativa é que o aperto monetário continuará, com pelo menos mais uma elevação dos juros básicos este ano. É um remédio de fato amargo que já se faz sentir na liberação de créditos pelos bancos. É ruim que a economia esteja sem capacidade de absorver aumentos mais expressivos na demanda por bens de serviços.
Será preciso que os investimentos em infraestrutura comecem a frutificar para que a economia como um todo fique mais produtiva.
No curto prazo, a demanda só pode ser arrefecida pela combinação de uma política fiscal contracionista e restrições monetárias. Como do lado fiscal pouco se pode esperar, a taxa de juros é a ferramenta que se tem à mão. O ano que vem será de eleições e o governo não vai querer se arriscar ao desgaste político de uma inflação alta que corroa o poder aquisitivo dos consumidores/eleitores. Juros altos também provocam desgastes, mas, no passado, a economia brasileira já conviveu com taxas bem mais altas. Na balança, a queda da inflação pode compensar o desgaste do atual ciclo de aperto monetário.
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