George Marques: TSE segue rito esperado pelo Planalto, o da postergação

As discussões que se seguiram ao pedido deixaram evidente um embate que permeará o julgamento nos próximos meses, diz o jornalista do The Intercept; "De um lado, o ministro Herman Benjamin, que em cerca de sete meses concluiu o seu relatório e levou o caso ao plenário; do outro, as defesas e parte da corte, que não veem nenhum motivo para pressa"

As discussões que se seguiram ao pedido deixaram evidente um embate que permeará o julgamento nos próximos meses, diz o jornalista do The Intercept; "De um lado, o ministro Herman Benjamin, que em cerca de sete meses concluiu o seu relatório e levou o caso ao plenário; do outro, as defesas e parte da corte, que não veem nenhum motivo para pressa"
As discussões que se seguiram ao pedido deixaram evidente um embate que permeará o julgamento nos próximos meses, diz o jornalista do The Intercept; "De um lado, o ministro Herman Benjamin, que em cerca de sete meses concluiu o seu relatório e levou o caso ao plenário; do outro, as defesas e parte da corte, que não veem nenhum motivo para pressa" (Foto: Aquiles Lins)


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Por George Marques, The Intercept - Menos de dez minutos depois de aberta a primeira sessão do Tribunal Superior Eleitoral destinada ao julgamento da chapa Dilma-Temer, um pedido de mais tempo da defesa da ex-presidente Dilma Rousseff para a sua manifestação expôs a estratégia já esperada por todos os lados envolvidos no caso: a de postergar ao máximo a decisão da corte sobre a acusação de corrupção na campanha de 2014.

As discussões que se seguiram ao pedido deixaram evidente um embate que permeará o julgamento nos próximos meses. De um lado, o ministro Herman Benjamin, que em cerca de sete meses concluiu o seu relatório e levou o caso ao plenário; do outro, as defesas e parte da corte, que não veem nenhum motivo para pressa.

Na sessão desta terça-feira (4), Benjamin manifestou diversas vezes a sua preocupação de que o processo se torne um "universo sem fim". "Temos que evitar a procrastinação", defendeu. O desenrolar da sessão apenas ratificou os motivos de inquietação do ministro. Antes mesmo de dar início à leitura do relatório, a corte adiou o julgamento por duas razões: aceitou o pedido da defesa de mais tempo para apresentar as alegações finais e concordou em ouvir mais quatro testemunhas no caso.

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Benjamin havia concedido dois dias para as manifestações de Dilma e Michel Temer, o que estaria de acordo com os trâmites de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). No entanto, como o julgamento unifica quatro ações e uma delas é uma Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) – que prevê cinco dias para a defesa – o advogado Flávio Caetano, que representa a petista, pediu que esse prazo fosse concedido. Juridiquês à parte, foi aberta a discussão entre os ministros, que, mesmo concordando em estender o tempo, discordavam sobre o quanto seria esse tempo: mais três ou cinco dias.

Contrariado, Benjamin argumentou que o tempo que as defesas tiveram foi suficiente, mas entendeu que, se não estendesse o prazo, as partes poderiam entrar com recursos no futuro alegando que tiveram o seu direito cerceado. Para evitar que o julgamento entre em risco por causa disso, militou pelos três dias. Ainda assim, foi voto vencido – Dilma e Temer terão mais cinco dias para se defenderem.

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O segundo movimento que postergou o julgamento foi o pedido do Ministério Público para ouvir mais quatro testemunhas: o ex-ministro Guido Mantega, os publicitários João Santana e Mônica Moura e André Santana – que seria emissário de repasses feitos pela Odebrecht. Com isso, o processo volta à fase de coletas de provas.

"Não podemos ouvir Adão e Eva e, provavelmente, a serpente", criticou o relator sobre o alongamento do processo. "Ainda que Vossa Excelência queira dourar a pílula, o que o tribunal está dizendo é que Vossa Excelência violou a jurisprudência", disparou o ministro Gilmar Mendes ao relator da ação. "Sou um juiz pragmático, dentro da lei", rebateu Benjamin.

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Mudanças na corte

As inúmeras cadeiras vazias no plenário do TSE nessa primeira sessão do julgamento contrastavam com a seriedade e urgência do caso, o mais importante da história da corte. Mesmo com a expectativa para o seu início e com as orientações do tribunal para que jornalistas e interessados em acompanhar o caso chegassem cedo, às 9h30, quando foi iniciada a sessão, o plenário seguia vazio. Ao que tudo indica, ninguém mesmo tinha fé de que haveria qualquer desenrolar do processo nesta terça-feira.

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A previsão agora é que o julgamento seja retomado entre o fim de abril e o começo de maio. Isso porque, além dos prazos e oitivas, o ministro Gilmar Mendes, presidente da corte, vai fazer uma sequência de viagens para o exterior, o que impedirá a convocação de novas sessões até o dia 25 de abril, quando retorna ao país.

Assim que o julgamento for retomado, a composição atual do TSE já terá mudado. No dia 15 de abril deixará a corte o ministro Henrique Neves, e Admar Gonzaga assumirá em seu lugar. Em maio, deixará o TSE a ministra Luciana Lóssio, que será sucedida por Tarcísio Vieira. Os dois foram indicados por Temer para os postos dos ministros que encerram seus mandatos.

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Benefício de "todos"

Resta pouco menos de dois anos para o fim do mandato de Michel Temer, portanto, o lenga-lenga do processo só pode favorecê-lo. Ainda mais se considerado que, em caso de cassação do registro do presidente, ele poderá recorrer ao próprio TSE e, em última instância, ao Supremo Tribunal Federal.

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Ao PT, mesmo com Dilma já fora do cargo, a demora também pode ser bem vista, uma vez que ainda defendem um discurso de que a ex-presidente não intermediou, pediu ou tampouco sabia dos pedidos de doações irregulares para a campanha. Na véspera de um ano eleitoral, é no que se prendem para salvar a imagem do partido.

Apesar da aparente calmaria no terceiro andar do Palácio do Planalto hoje, persiste a preocupação sobre qual será o impacto que os desdobramentos da ação terá no governo. Advogados do presidente apostam que a processo se arrastará por meses, coincidindo com as eleições do ano que vem. Se tudo ocorrer dentro de cronograma desejado pelo Planalto, o processo ultrapassará 2017 sem um resultado concreto.

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