Gaspari: Dilma e Lula são indissociáveis

"Não há Dilma sem Lula e até 2018 não haverá Lula sem Dilma. Eles não podem se aproximar a ponto de parecer que ela não governa, nem se distanciar a ponto de a doutora dispensar o carisma de Nosso Guia", diz o jornalista Elio Gaspari; "As almas intercambiáveis permitem a Lula e Dilma serem ao mesmo tempo governo e oposição"

"Não há Dilma sem Lula e até 2018 não haverá Lula sem Dilma. Eles não podem se aproximar a ponto de parecer que ela não governa, nem se distanciar a ponto de a doutora dispensar o carisma de Nosso Guia", diz o jornalista Elio Gaspari; "As almas intercambiáveis permitem a Lula e Dilma serem ao mesmo tempo governo e oposição"
"Não há Dilma sem Lula e até 2018 não haverá Lula sem Dilma. Eles não podem se aproximar a ponto de parecer que ela não governa, nem se distanciar a ponto de a doutora dispensar o carisma de Nosso Guia", diz o jornalista Elio Gaspari; "As almas intercambiáveis permitem a Lula e Dilma serem ao mesmo tempo governo e oposição" (Foto: Leonardo Attuch)


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247 - Em artigo publicado nesta quarta-feira em diversos jornais impressos, o jornalista Elio Gaspari afirma que é um erro apostar no distanciamento entre a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva. "Não há Dilma sem Lula e até 2018 não haverá Lula sem Dilma. Eles não podem se aproximar a ponto de parecer que ela não governa, nem se distanciar a ponto de a doutora dispensar o carisma de Nosso Guia", diz ele.  "As almas intercambiáveis permitem a Lula e Dilma serem ao mesmo tempo governo e oposição."

Leia, abaixo, sua análise:

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As duas almas de Dilma e Lula

Elio Gaspari

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Dilma Rousseff compôs dois ministérios. Um novo, na área econômica, cujo principal expoente foi recrutado na banca. Outro, velho, nas demais pastas. Novidade, só a emergência das principais facções petistas como se fossem partidos políticos.

À primeira vista, a corrente majoritária que se denomina Construindo um Novo Brasil, CNB, perdeu espaço para a Democracia Socialista. Olhando-se de perto, isso quer dizer pouca coisa. Nem um grupo quer construir um novo Brasil, nem o outro sabe qual tipo de socialismo busca. Tanto é assim que o ex-deputado André Vargas, que se desligou do partido e teve o mandato cassado, ainda está listado na coordenação nacional da CNB. Esse seria o grupo de Lula. Já se chamou Articulação, rebatizou-se como Campo Majoritário e celebrizou-se por hospedar a maior parte da bancada dos condenados pelo mensalão.

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Doze anos de poder mostraram que essas facções operam no varejo. Às vezes, no balcão dos cargos. Em outro casos, no perigoso varejo das empresas amigas.

A partir de amanhã vai-se saber se a doutora efetivamente renunciou ao cargo de ministra da Fazenda. Se isso acontecer, a maior influência sobre o novo governo terá vindo de Lula. Foi ele quem primeiro soprou a ideia de se defenestrar Guido Mantega e novamente foi ele quem sugeriu a busca de um novo ministro na banca. De certa maneira, foi isso que aconteceu em 2003, quando o ministro Antonio Palocci buscou no mercado e no rigor fiscal os comandantes da economia petista.

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O que vem por aí será um ano de apertos ou, como diria o prefeito Fernando Haddad, de “deslizamento” das promessas de campanha.

Lula flertou com a ideia de substituir Dilma na disputa pela Presidência, mas nunca chegou a explicitar esse desejo. Limitou-se a estimular a onda. Quando estava no Planalto, fortalecia o ministro Palocci, mas dava voo livre ao vice-presidente José Alencar para criticar a política econômica de seu governo. Agora esse papel cairá no seu colo, ocupando um espaço onde a oposição tucana estará condenada ao silêncio, visto que a doutora capturou-lhe a agenda.

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Essa guinada funcionará enquanto Dilma Rousseff tiver sangue-frio para segurar maus indicadores econômicos e um inevitável desgaste das estatísticas do emprego. Durante seu primeiro mandato, Lula conseguiu essa proeza e viu-se favorecido por uma economia mundial benfazeja.

Dilma e Lula têm almas intercambiáveis. Ambos podem ser eles mesmos, mas também podem ser o outro. Nessa mistura não há indefinição, mas estratagema. Lula defende como pode a desgraça da Petrobras, Dilma promete faxina. Dilma cortará despesas, Lula culpará a elite de olhos azuis pelo que seria uma crise internacional.

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Não há Dilma sem Lula e até 2018 não haverá Lula sem Dilma. Eles não podem se aproximar a ponto de parecer que ela não governa, nem se distanciar a ponto de a doutora dispensar o carisma de Nosso Guia. No limite, criador e criatura só se separam em circunstâncias especiais. Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso afastaram-se, mas faltava ao primeiro uma base partidária que Lula tem. Ainda assim, FH jamais chegou ao ponto do rompimento, premiando seu antecessor com duas embaixadas.

As almas intercambiáveis permitem a Lula e Dilma serem ao mesmo tempo governo e oposição.

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