FT: Brasil foi longe demais em Marco da Internet
Em campanha permanente contra a política econômica brasileira e o governo Dilma, mídia britânica diz que projeto sugerido pela presidente em resposta às violações cometidas pelos EUA é um “equívoco”; “E faz mal à Web mundial, que corre o risco de ingressar em uma era de fragmentação e regulamentação”, completa
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247 - Como virou se tornou habitual na imprensa britânica, o jornal "Financial Times" voltou a criticar o Brasil. Desta vez, o tema é o projeto de lei que estabelece que regulamenta a internet no Brasil.
A proposta, que está em discussão na Câmara e deve ser votada na semana que vem, dá ao governo o poder de decretar que grandes empresas, como Google e Facebook, devem armazenar dados de brasileiros dentro do país.
O projeto estabelece direitos dos internautas brasileiros e obrigações de prestadores de serviços na web (provedores de acesso e ferramentas on-line). Segundo o ministro Eduardo Cardozo, a “tendência” é de que ele seja analisado pelos parlamentares na próxima semana.
Intitulado "O Brasil está indo longe demais quanto à segurança na Internet", o texto diz que a missão brasileira de proteger a privacidade de seus cidadãos por meio de extensos firewalls é um equívoco. Faz mal ao país, que sofreria economicamente. “E faz mal à Web mundial, que corre o risco de ingressar em uma era de fragmentação e regulamentação”, completa.
A publicação reconhece, no entanto, que a previsão é uma consequência da "bisbilhotice dos espiões norte-americanos" e que "os Estados Unidos só podem culpar a si mesmos" por desencadear essa reação da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.
Leia a íntegra do editorial:
Ao longo da atual controvérsia sobre a espionagem norte-americana contra outros países, boa parte da atenção se concentrou nos danos causados ao relacionamento entre Estados Unidos e Europa. A revelação de que os norte-americanos tinham uma escuta no celular da primeira-ministra alemã Angela Merkel, especialmente, causou debate na União Europeia sobre a necessidade de novas e severas leis de proteção de dados.
Mas o país que pode influenciar mais que qualquer outro a maneira pela qual essa controvérsia se desenrolará é o Brasil. A presidente Dilma Rousseff expressou fúria diante das revelações de espionagem norte-americana. Consequentemente, o governo reagiu com um conjunto extenso de medidas que visam proteger os brasileiros contra o que as autoridades do país veem como uma máquina descontrolada de vigilância operada pelos Estados Unidos.
O Brasil divulgou planos ambiciosos para desenvolver uma tecnologia própria para redes. Pretende criar um serviço nacional de e-mail seguro. Agora, está apresentando uma lei que pode requerer que todas as informações online sobre brasileiros sejam armazenadas fisicamente no Brasil.
Essa última medida teria grandes implicações. Requereria que as companhias de Internet dos Estados Unidos que operam no Brasil duplicassem no país a infraestrutura que já possuem no exterior, instalando grandes e dispendiosas centrais de processamento de dados em território brasileiro. Isso inevitavelmente levaria essas companhias a ponderar se não seria melhor restringir suas operações no Brasil. O que prejudicaria a competitividade brasileira e o setor de tecnologia do país.
E também faria mal à liberdade da Internet mundial. O mundo está dividido entre os países, liderados pelos Estados Unidos, que defendem uma Internet livre, e aqueles --como China, Rússia e Irã-- que mantêm intranets nacionais a fim de ajudar a garantir o controle político. O Brasil é parte de um grupo de países --em companhia da Turquia, Índia e Indonésia-- que vem hesitando quanto ao caminho a seguir. Se o Brasil, cuja população forma o segundo maior grupo mundial de usuários do Facebook, se tornar porta-estandarte do protecionismo de Internet, outras nações seguirão seu exemplo.
Os Estados Unidos só podem culpar a eles mesmos pela irada reação brasileira à bisbilhotice dos espiões norte-americanos. A presidente do Brasil está certa ao se sentir seriamente injuriada pelas provas de que os Estados Unidos vêm interceptando comunicações internas de seu governo.
Mas a missão brasileira de proteger a privacidade de seus cidadãos por meio de extensos firewalls é um equívoco. Faz mal ao país, que sofreria economicamente. E faz mal à Web mundial, que corre o risco de ingressar em uma era de fragmentação e regulamentação. Rousseff precisa reconsiderar.
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