Folha: Haddad é vítima de insatisfação crônica

Jornal de Otavio Frias diz que população de São Paulo inclina-se, desde 1985, a rejeitar seus prefeitos, e Fernando Haddad (PT) parece ser mais um nessa longa lista; "Diferentemente do que ocorre em outras praças, o eleitorado paulistano dividiu-se entre três forças substantivas: direita, centro e esquerda. Natural que seja tão raro a aprovação ultrapassar 33%", diz

Jornal de Otavio Frias diz que população de São Paulo inclina-se, desde 1985, a rejeitar seus prefeitos, e Fernando Haddad (PT) parece ser mais um nessa longa lista; "Diferentemente do que ocorre em outras praças, o eleitorado paulistano dividiu-se entre três forças substantivas: direita, centro e esquerda. Natural que seja tão raro a aprovação ultrapassar 33%", diz
Jornal de Otavio Frias diz que população de São Paulo inclina-se, desde 1985, a rejeitar seus prefeitos, e Fernando Haddad (PT) parece ser mais um nessa longa lista; "Diferentemente do que ocorre em outras praças, o eleitorado paulistano dividiu-se entre três forças substantivas: direita, centro e esquerda. Natural que seja tão raro a aprovação ultrapassar 33%", diz (Foto: Roberta Namour)


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247 – Otavio Frias, do jornal Folha de S. Paulo, justifica a alta na rejeição ao governo do prefeito Fernando Haddad (PT) como resultado de uma insatisfação crônica da população de São Paulo. Leia:

Insatisfação crônica

População de São Paulo inclina-se, desde 1985, a rejeitar seus prefeitos, e Fernando Haddad parece ser mais um nessa longa lista

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"Esta cidade, goste-se ou não, é um cemitério de políticos." Feita dois meses atrás em evento promovido pela rádio CBN, a declaração lapidar é do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Diante dos resultados da pesquisa Datafolha, é difícil discordar da síntese.

Prestes a completar um ano no cargo, Haddad ostenta índices típicos de um alcaide paulistano a esta altura do mandato. O percentual dos que consideram sua administração ótima ou boa (18%) é bastante inferior ao dos que a avaliam como ruim ou péssima (39%).

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Desde 1985, São Paulo teve oito prefeitos. Só José Serra (PSDB), que assumiu em 2005, chegou a um ano de gestão com a aprovação (41%) superior à rejeição (23%). A segunda colocada nesse item é a petista Marta Suplicy (2001-04), aprovada por 28% e rejeitada por 34%; Paulo Maluf (1993-96), então no PDS, obteve 25% e 41%, respectivamente. Os demais tiveram taxas de ótimo/bom igual ou pior que 20%.

Nesse período, a insatisfação renovada dos paulistanos manifestou-se de forma contundente também nas urnas. Com a exceção de dois pleitos --a vitória de Celso Pitta (PPB), em 1996, e a reeleição de Gilberto Kassab (então no DEM), em 2008--, as forças no poder sempre foram rejeitadas pelo voto.

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Não parece coincidência que, nesses dois casos --e somente neles--, a economia nacional tenha crescido acima de 4%, em média, ao longo do mandato anterior.

Sobretudo a partir de meados dos anos 1990, variações do PIB passaram a interferir com maior força na cidade de São Paulo, primeiro quebrada, depois resgatada em termos asfixiantes.

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Além da baixa capacidade de investimento, prefeitos de São Paulo lidam com um quadro político complexo, estabelecido em 1985. Naquela disputa, Jânio Quadros (PTB) foi eleito em turno único com pouco mais de um terço dos votos.

Diferentemente do que ocorre em outras praças, o eleitorado paulistano dividiu-se entre três forças substantivas: direita, centro e esquerda. Natural que seja tão raro a aprovação ultrapassar 33%.

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Fernando Haddad, a rigor, caminhava nesse sentido. Com seis meses de governo, tinha 34% de ótimo/bom --o melhor desempenho de um prefeito de São Paulo já registrado pelo Datafolha após um semestre no cargo. Sua aprovação, contudo, despencou com as manifestações de junho.

As faixas de ônibus, única resposta à crise, tiveram amplo apoio pelo que têm de simbólico, mas sem dúvida provocaram a irritação na parcela expressiva que se desloca de carro. Melhorias no trânsito, se houver, virão depois; por ora, é a onda negativa que se impõe, reforçada pelo aumento no IPTU.

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Os problemas crônicos da cidade retomam suas dimensões conhecidas, e o "homem novo" da propaganda revela-se, aos olhos da população, apenas mais um prefeito incapaz de lidar com o desafio.

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