Folha e Estado inflam críticas ao governo com "fiasco fiscal"

Em editorial nesta quarta-feira, jornal de Otavio Frias diz que governo da presidente Dilma Rousseff não tem plano para resgatar credibilidade; publicação da família Mesquita satiriza “ataque especulativo da imprensa” e diz que Planalto está menos empenhado em resolver os problemas fiscais do que em responder às críticas e em buscar meios para disfarçar a piora das finanças públicas

Em editorial nesta quarta-feira, jornal de Otavio Frias diz que governo da presidente Dilma Rousseff não tem plano para resgatar credibilidade; publicação da família Mesquita satiriza “ataque especulativo da imprensa” e diz que Planalto está menos empenhado em resolver os problemas fiscais do que em responder às críticas e em buscar meios para disfarçar a piora das finanças públicas
Em editorial nesta quarta-feira, jornal de Otavio Frias diz que governo da presidente Dilma Rousseff não tem plano para resgatar credibilidade; publicação da família Mesquita satiriza “ataque especulativo da imprensa” e diz que Planalto está menos empenhado em resolver os problemas fiscais do que em responder às críticas e em buscar meios para disfarçar a piora das finanças públicas (Foto: Roberta Namour)


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247 – Nos editorias desta quarta-feira, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo criticaram a política fiscal do governo federal diante da piora das finanças públicas. Eles atacam as respostas dos ministro Guido Mantega e Gleisi Hoffmann e dizem que governo Dilma Rousseff perdeu a credibilidade. Leia:

O alucinante fiasco fiscal - EDITORIAL O ESTADÃO

Com as contas em mau estado e sem perspectiva de melhora significativa, o governo continua menos empenhado em resolver os problemas fiscais do que em responder às críticas e em buscar meios para disfarçar a piora das finanças públicas. Um dos mais ativos participantes desse jogo, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, acaba de inventar um "ataque especulativo" à política fiscal brasileira, conduzido, segundo ele, pela imprensa.

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O governo jamais perdeu o controle de seus gastos e "o conjunto das versões sobre a política fiscal" é incompatível com a realidade, garantiu o secretário numa entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. O resultado de outubro foi muito bom, acrescentou Augustin, e a meta fiscal de 2013 será alcançada. Para o governo central, essa meta corresponde a R$ 73 bilhões de superávit primário, o dinheiro posto de lado para o pagamento de uma parte dos juros da dívida pública. De uma parte, somente, porque o resultado geral - incluídos os compromissos financeiros - deve ser, como de costume, negativo.

Num dueto meio desafinado com o secretário do Tesouro, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, defendeu a adoção de um regime de bandas para o superávit primário. Com essa mudança, o compromisso fiscal seria formalmente cumprido, se o resultado ficasse dentro de um intervalo determinado, segundo é razoável supor, pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O regime de bandas daria mais previsibilidade à gestão do gasto público e permitiria evitar a austeridade excessiva, segundo declaração citada pela Folha de S.Paulo.

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Na mesma entrevista, a chefe da Casa Civil negou a existência de um problema fiscal decorrente da despesa. O problema, acrescentou, "é o baixo crescimento, conjugado com uma política agressiva de desonerações ao setor privado".

O quadro fiscal fica mais preocupante do que aquele mostrado pelos números quando altos funcionários do governo começam a negar os problemas, a inventar explicações sem pé nem cabeça e a apresentar propostas como a do regime de bandas.

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Esta é uma ideia particularmente infeliz, por causa do currículo econômico do atual governo. Segundo vivem repetindo a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a inflação tem ficado normalmente dentro da meta. Essa afirmação é falsa.

A meta é 4,5%. A banda de 2 pontos para mais ou para menos (na prática, quase sempre para mais) é apenas um espaço de tolerância para acomodar situações excepcionais. Não houve no Brasil, nos últimos anos, nenhum fato excepcional, além da tolerância à inflação, para justificar uma alta de preços muito maior que a observada, em média, nos demais países emergentes e no mundo desenvolvido.

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Esse frouxo conceito de meta é suficiente para desmoralizar, de imediato, qualquer proposta de um regime de banda para a meta fiscal. Além disso, a política fiscal já se tornou amplamente desacreditada pelos truques adotados para o fechamento das contas no fim de cada exercício. A chamada contabilidade criativa é apenas o grande final do espetáculo de mágicas. A parte menos inventiva da arrumação, como o recurso crescente a receitas excepcionais, já bastaria para desmoralizar a política.

Sem dúvida, os números do bimestre final de 2013 devem ser melhores que os de setembro, quando até o resultado primário ficou no vermelho. O ingresso dos R$ 15 bilhões do bônus do leilão do Campo de Libra deve contribuir significativamente para essa melhora.

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Quanto à ministra Gleisi Hoffimann, ela passa longe da verdade quando nega a ocorrência de problemas do lado da despesa. Os números acumulados até setembro mostram uma expansão maior do gasto que da receita. Quanto à referência às desonerações, vale mais como confissão do que como justificativa. Na maior parte mal concebidos e mal dirigidos, esses benefícios fiscais acabaram incentivando mais o consumo do que a produção e resultaram em fiasco e desperdício, como comprova a mistura de baixo crescimento, inflação alta e contas externas em deterioração. Estará a ministra interessada em doses maiores dessa mistura tóxica?

Ver a banda passar - EDITORIAL FOLHA DE SP

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Diante de resultados ruins das contas públicas, governo da presidente Dilma Rousseff parece não ter plano para resgatar credibilidade

Como se já não fosse por si só ruim o resultado das contas públicas --o saldo acumulado do governo central nos primeiros nove meses é de R$ 27,9 bilhões, quase a metade do mesmo período do ano passado--, as autoridades brasileiras agem de modo a acentuar a percepção de que o governo não tem rumo nem um plano para resgatar a credibilidade perdida.

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Em entrevista a esta Folha, Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, defendeu um regime de bandas para o superavit primário. O sistema funcionaria de forma semelhante ao de metas de inflação: o resultado fiscal do governo poderia ficar dentro de um intervalo.

A ideia não é nova e faz sentido econômico. Em épocas de rápido crescimento, a arrecadação sobe e o governo poupa mais. O inverso vale para períodos recessivos.

Ocorre que esse não é o problema. A questão é saber ao redor de qual meta haverá a banda. Depois de três anos de manipulações das contas, de deduções variadas e do uso de receitas atípicas para fechar o caixa, a impressão é que ninguém no Planalto saberia dizer.

De resto, o sistema de bandas já se verifica na prática, embora de maneira confusa. A meta oficial é economizar 3,1% do PIB antes das despesas de juros; o governo declara perseguir neste ano 2,3% do PIB. Entre analistas privados, para completar, prevalece a opinião de que o resultado ficará mais perto de 1,8%.

Alguns tons acima, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, disse, em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", que a política de gastos está sob "ataque especulativo" da imprensa e afirmou que os resultados dos próximos meses serão melhores. Ainda que esteja certo quanto ao segundo ponto, não terá razão quanto ao primeiro --é contraproducente alguém em sua posição engalfinhar-se com analistas.

Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, havia reagido ao resultado das contas com a convocação de uma reunião com sindicalistas, no intuito de tratar do aumento das despesas relativas a abono salarial e seguro desemprego --como se estivesse aí a surpresa.

Há pelo menos dois anos o governo prometera atenção ao assunto, mas as despesas só crescem. O ministro passa a impressão de agir apenas a posteriori.

O mais irônico é que a situação talvez seja até melhor do que o governo, por inépcia, faz crer.

É preciso restaurar, sem meias palavras --o que a esta altura depende de manifestação clara da presidente da República--, o compromisso com metas que sejam altas o suficiente para evitar o aumento da dívida pública, risco que se tornou mais grave depois da leniência dos últimos anos.

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