Folha defende decisão do STF na Lava Jato

Jornal de Otavio Frias vê abuso de prisões preventivas e diz que soltura de empreiteiros implicados na operação não se confunde com impunidade: “a prisão preventiva tem sido tomada, como bem disse o ministro Teori Zavascki nesse caso específico, como forma de antecipar, sem julgamento, a pena desejada”, diz a publicação

Jornal de Otavio Frias vê abuso de prisões preventivas e diz que soltura de empreiteiros implicados na operação não se confunde com impunidade: “a prisão preventiva tem sido tomada, como bem disse o ministro Teori Zavascki nesse caso específico, como forma de antecipar, sem julgamento, a pena desejada”, diz a publicação
Jornal de Otavio Frias vê abuso de prisões preventivas e diz que soltura de empreiteiros implicados na operação não se confunde com impunidade: “a prisão preventiva tem sido tomada, como bem disse o ministro Teori Zavascki nesse caso específico, como forma de antecipar, sem julgamento, a pena desejada”, diz a publicação (Foto: Roberta Namour)


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247 – O jornal ‘Folha de S. Paulo’ saudou a decisão do STF de conceder habeas corpus aos empreiteiros presos na Operação Lava Jato. Segundo a publicação de Otavio Frias, a medida barra o ‘abuso de prisões preventivas usadas como forma de antecipar, sem julgamento, a pena desejada’. Leia:

Punição antes da hora

País registra abuso de prisões preventivas; soltura de empreiteiros implicados na Operação Lava Jato não se confunde com impunidade
Fosse pelo chamado clamor popular, haveria de estender-se por muitos anos, talvez à perpetuidade, o tempo de prisão reservado aos nove implicados na Operação Lava Jato que, nesta quarta-feira (29), deixaram a carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

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Todos se beneficiaram de decisão do Supremo Tribunal Federal tomada no dia anterior e foram transferidos à prisão domiciliar.
Em votação apertada (3 a 2), a segunda turma daquela corte não optou, como se poderia pensar, pela impunidade dos envolvidos.

Nem sequer teve início o julgamento de Ricardo Pessoa, presidente da empreiteira UTC, e dos demais acusados de participar do esquema de corrupção na Petrobras.

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Estavam havia cinco meses e meio privados de liberdade em decorrência do que determinara --sem contestação nas demais instâncias, até o caso chegar ao STF-- o juiz federal Sergio Moro.

Para este magistrado, impunha-se aplicar sobre os executivos o instrumento da prisão preventiva. Presumindo a possibilidade de que fugissem do país, ou que persistissem na prática de seus crimes, ou ainda que pudessem interferir nas investigações, seria conveniente que permanecessem entre as grades.

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Nessa linha se pronunciaram os ministros Celso de Mello e Cármen Lúcia, para quem não faria sentido suspender a prisão preventiva enquanto não estivesse plenamente terminado o inquérito policial.

Outra foi a opinião de Teori Zavascki (relator do processo), Dias Toffoli e Gilmar Mendes --sobre o qual, aliás, não pesam suspeitas de simpatia pelo sistema petista.

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Adotado o uso de tornozeleiras eletrônicas e feita a apreensão de passaportes, não é plausível que os empreiteiros consigam evadir-se do país. Que se entreguem a práticas de corrupção, uma vez afastados do comando das empresas e sob as vistas de toda a opinião pública, é igualmente improvável.

A própria complexidade do esquema de que supostamente participam e sua dependência de uma discreta rede de contatos não lhes sugerem a retomada de atividades em momento de tanta exposição.

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A comparação, ainda que bizarra, merece ser feita. Um psicopata, um "serial killer", representa real perigo aos cidadãos, sendo razoável que a Justiça, a título de cautela, retire-o do convívio social, mesmo sem condenação definitiva.

No Brasil, ainda acertadamente visto como país da impunidade, a prisão preventiva tem sido tomada, como bem disse o ministro Zavascki nesse caso específico, como forma de antecipar, sem julgamento, a pena desejada.

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Recente estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) estima em 37% a proporção dos que, tendo tido prisão preventiva decretada, terminaram absolvidos no Judiciário. A ferramenta se presta a abusos que vitimam, segundo os cálculos do instituto, cerca de 90 mil pessoas encarceradas.

Não apenas os empreiteiros da Lava Jato, portanto, parecem estar sujeitos a um paradoxo cruel da impunidade: o esforço de compensá-la pela espetacularização de um rigor desproporcional e descabido.

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