Folha declara apoio às ações de Serra no Itamaraty

'O chanceler José Serra anuncia agora o propósito de manter o prumo de uma diplomacia independente, mas escoimada da distorção antiocidental. Pretende adotar, noutra inflexão tardia e necessária, diretriz pragmática voltada a atrair investimentos e explorar oportunidades comerciais e tecnológicas. Flexibilizar as amarras do Mercosul', diz o jornal de Otavio Frias no editorial

'O chanceler José Serra anuncia agora o propósito de manter o prumo de uma diplomacia independente, mas escoimada da distorção antiocidental. Pretende adotar, noutra inflexão tardia e necessária, diretriz pragmática voltada a atrair investimentos e explorar oportunidades comerciais e tecnológicas. Flexibilizar as amarras do Mercosul', diz o jornal de Otavio Frias no editorial
'O chanceler José Serra anuncia agora o propósito de manter o prumo de uma diplomacia independente, mas escoimada da distorção antiocidental. Pretende adotar, noutra inflexão tardia e necessária, diretriz pragmática voltada a atrair investimentos e explorar oportunidades comerciais e tecnológicas. Flexibilizar as amarras do Mercosul', diz o jornal de Otavio Frias no editorial (Foto: Roberta Namour)


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247 - No editorial, a 'Folha de S. Paulo' declarou apoio às ações de José Serra no Itamaraty, que "anuncia agora o propósito de manter o prumo de uma diplomacia independente, mas escoimada da distorção antiocidental". Leia abaixo:

Serra no Itamaraty

Além da economia, submetida a autêntica devastação por efeito dos erros e abusos do governo Dilma Rousseff (PT), outro núcleo estratégico em que a mudança da gestão federal se mostra bem-vinda é o das relações exteriores.

Nos 13 anos de administração petista, o governo declarou-se empenhado numa diplomacia ativa e independente. Houve momentos em que de fato se aproximou desse objetivo, o que foi reconhecido nestas colunas.

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Quase sempre, porém, aquela orientação tinha muito de seletivo, de forma que a uma hostilidade automática em face de parceiros relevantes e aliados tradicionais, como os EUA, correspondia uma tolerância que raiava a subserviência perante autocracias como as do Irã, de Cuba e da Venezuela.

Sempre se soube que os governos do PT, para compensar as muitas concessões que Lula e Dilma fizeram à direita no âmbito doméstico, manobravam a política externa (não raro em prejuízo do que seria melhor para o interesse nacional) com a finalidade paroquial de aplacar as alas esquerdistas.

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Tudo indica, porém, que as aparências ideológicas camuflavam algo pior. Como vem sendo ressaltado nas investigações judiciais em curso, as preferências diplomáticas com frequência correspondiam a projetos no exterior de grandes empresas brasileiras, as quais financiavam os custos do partido, nem sempre de modo legítimo.

Depois de um início auspicioso, a diplomacia do governo Dilma Rousseff também decepcionou, mostrando-se uma versão pálida e desprovida de carisma das mesmas deformações que haviam marcado o trêfego ativismo externo de seu antecessor.

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O chanceler José Serra anuncia agora o propósito de manter o prumo de uma diplomacia independente, mas escoimada da distorção antiocidental. Pretende adotar, noutra inflexão tardia e necessária, diretriz pragmática voltada a atrair investimentos e explorar oportunidades comerciais e tecnológicas.

Flexibilizar as amarras do Mercosul; deslocar a ênfase dos emperrados mecanismos multilaterais para uma proliferação de acordos bilaterais de comércio; utilizar o ativo brasileiro que é a biodiversidade de modo a colocar o país na vanguarda da reforma ambiental –as diretrizes enunciadas vão na direção certa.

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Trata-se de restaurar os melhores valores do Itamaraty –em que o apoio à autodeterminação dos povos e à solução pacífica dos conflitos se combina a uma discreta, mas atenta simpatia pelos direitos civis e humanos–, conferindo a sua consecução mais equidistância, eficiência e pragmatismo.

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