Folha: cronograma do impeachment não pode se sujeitar a oportunistas
Jornal de Otavio Frias questiona a manobra da oposição contra Dilma Rousseff: ‘Não faz sentido decretar o recesso do Congresso Nacional, em plena crise, na expectativa de que, dentro de alguns meses, a deterioração econômica e o acúmulo de descontentamentos gerais facilite a vida dos que querem afastar a presidente Dilma Rousseff’; ‘Já tisnada pela barganha e pela chantagem em sua abertura, a questão do impeachment tem de ser discutida e resolvida sem delongas oportunistas’, diz
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
247 – A ‘Folha de S. Paulo’ questiona a manobra da oposição contra Dilma Rousseff para adiar o cronograma do impeachment: ‘Não faz sentido decretar o recesso do Congresso Nacional, em plena crise, na expectativa de que, dentro de alguns meses, a deterioração econômica e o acúmulo de descontentamentos gerais facilite a vida dos que querem afastar a presidente Dilma Rousseff’. ‘Já tisnada pela barganha e pela chantagem em sua abertura, a questão do impeachment tem de ser discutida e resolvida sem delongas oportunistas’, diz.
Leia abaixo:
Em ritmos diversos e com níveis desiguais de sutileza, começam a mover-se as peças do complexo jogo político iniciado na quarta-feira (2), com a decisão de ser aberto o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
Esta reagiu prontamente, com retórica eficaz, mas de curto fôlego, à iniciativa do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Procurou reduzir a movimentação por seu afastamento a um confronto quase pessoal.
Aludindo aos notórios problemas de Cunha na Operação Lava Jato e a seus inocultáveis investimentos em contas na Suíça, Dilma não teve dificuldades em enfatizar que não pesam até agora, contra ela, suspeitas dessa gravidade.
A questão do impeachment não se limita, entretanto, a uma contradição entre os currículos, certamente distintos, de Eduardo Cunha e da presidente da República.
No processo que se inicia, abrem-se discussões políticas, econômicas e jurídicas de uma profundidade a que a dimensão das estripulias de Cunha não se pode comparar.
Outro confronto, tingido de mais matizes e penumbras, opõe Dilma ao beneficiário imediato de seu afastamento –o vice-presidente Michel Temer. Verdade que, nestes primeiros dias, a tática do peemedebista não se traduziu pelo impecável cuidado diplomático a que seu nome costuma associar-se.
Entregando de forma brusca a pasta da Aviação Civil, alegadamente por causa de resistências à nomeação de alguns auxiliares, um dos principais aliados de Temer, o agora ex-ministro Eliseu Padilha, deu a conhecer a carga de tensões que marca a relação entre o vice-presidente e o Planalto.
Mostra-se, no mínimo, o quanto de negociações será necessário para aplacar, em parte do PMDB, as expectativas desencadeadas pelo processo de impeachment.
Por ora, entretanto, valem relativamente pouco as atitudes e declarações dos líderes políticos e partidários, dos dois lados do conflito. Todos terão de observar, ainda por algum tempo, as oscilações barométricas da economia e da opinião pública. É natural que seja assim; uma dose de cálculo, em tais situações, até se justifica.
O que não se justifica em absoluto, na verdadeira emergência em que o país se encontra, é submeter o próprio cronograma do impeachment a tais conveniências.
Não faz sentido decretar o recesso do Congresso Nacional, em plena crise, na expectativa de que, dentro de alguns meses, a deterioração econômica e o acúmulo de descontentamentos gerais facilite a vida dos que querem afastar a presidente Dilma Rousseff.
Já tisnada pela barganha e pela chantagem em sua abertura, a questão do impeachment tem de ser discutida e resolvida sem delongas oportunistas.
Não há tempo para jogar com a crise; o país não pode se dar a esse luxo –são os interesses da sociedade, não manipulações de cúpula, que cumpre levar em conta.
iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popularAssine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247