Folha critica a ‘carta infeliz’ de Temer

“Se se tratava de acenar com a possibilidade de exercer uma liderança política nacional –conciliadora ou disruptiva, pouco importa– na atual crise, o vice-presidente sem dúvida se apequenou”, afirma o jornal de Otávio Frias; “Michel Temer escreveu uma carta dolorida, magoada, até sincera. Mas o país poderia ter sido poupado dessa página constrangedora de correio sentimental”, conclui

“Se se tratava de acenar com a possibilidade de exercer uma liderança política nacional –conciliadora ou disruptiva, pouco importa– na atual crise, o vice-presidente sem dúvida se apequenou”, afirma o jornal de Otávio Frias; “Michel Temer escreveu uma carta dolorida, magoada, até sincera. Mas o país poderia ter sido poupado dessa página constrangedora de correio sentimental”, conclui
“Se se tratava de acenar com a possibilidade de exercer uma liderança política nacional –conciliadora ou disruptiva, pouco importa– na atual crise, o vice-presidente sem dúvida se apequenou”, afirma o jornal de Otávio Frias; “Michel Temer escreveu uma carta dolorida, magoada, até sincera. Mas o país poderia ter sido poupado dessa página constrangedora de correio sentimental”, conclui (Foto: Roberta Namour)


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247 – A ‘Folha de S. Paulo’ critica a ‘carta infeliz’ de Michel Temer a presidente Dilma Rousseff:

“Se se tratava de acenar com a possibilidade de exercer uma liderança política nacional –conciliadora ou disruptiva, pouco importa– na atual crise, o vice-presidente sem dúvida se apequenou”, afirma o jornal de Otávio Frias. “Michel Temer escreveu uma carta dolorida, magoada, até sincera. Mas o país poderia ter sido poupado dessa página constrangedora de correio sentimental”, conclui.

Leia abaixo no editorial:

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Carta infeliz

Nos tangos, boleros e outros gêneros românticos de antigamente, alguns artistas adotavam a prática de, a dada altura, interromper o canto e passar à simples declamação da letra a meia-voz, reiterando seu recado em tom de confidência.

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Enquanto a orquestra desenrola os compassos incertos do impeachment, é como se a carta enviada pelo vice Michel Temer (PMDB) à presidente Dilma Rousseff (PT) correspondesse, no seu tom supostamente magoado e pessoal, a essa modalidade de canastrice cancioneira.

Não que não sejam cerebrais os seus motivos, e verdadeiras as suas queixas. Com certeza, por inabilidade, arrogância e preconceito, o Palácio do Planalto desperdiçou as oportunidades de outorgar a Michel Temer o papel de articulação política de que tanto se carece num momento de gravíssima crise.

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Apontando esse distanciamento numa carta que dificilmente alguém com sua experiência teria escrito sem saber que vazaria, Temer articula uma versão para justificar o que constitui seu notório interesse político neste momento.

Como beneficiário imediato de um eventual afastamento de Dilma, o vice-presidente se vê na contingência de não poder explicitar excessiva avidez pelo cargo que tem diante dos olhos.

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A mera expectativa de ascensão, porém, tende a unificar o PMDB em torno de Temer. Seus passos no caminho de um rompimento, aliás já encetados com a saída do aliado Eliseu Padilha da Secretaria de Aviação Civil, tornaram-se praticamente sem volta.

O cálculo não é de estranhar, quando tem origem num político profissional de reconhecida habilidade. O hábito das conversações de bastidor e das confidências ao pé de ouvido terá cobrado, entretanto, seu preço na tática adotada pelo melífluo peemedebista.

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Se se tratava de acenar com a possibilidade de exercer uma liderança política nacional –conciliadora ou disruptiva, pouco importa– na atual crise, o vice-presidente sem dúvida se apequenou.

Sua carta adota um tom choroso, incluindo reclamações risíveis, como a de não ter sido convidado a participar de um encontro com o vice-presidente dos EUA, Joe Biden.

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Fica-se com a impressão de que o apreço pelo protocolo palaciano, pelo beija-mão e pelos cargos de segundo escalão supera, no espírito de Temer, a devida consideração das emergências nacionais.

O característico do mau ator não é a mentira, a falsidade. É o fato de comover-se consigo mesmo, sentimentalizar as próprias convicções e atitudes. Michel Temer escreveu uma carta dolorida, magoada, até sincera. Mas o país poderia ter sido poupado dessa página constrangedora de correio sentimental.

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