Florestan: para a Folha, quem define a eleição são os 10 mil mais ricos?

Jornalista critica a manchete principal da Folha de S.Paulo deste domingo 12, em que o jornal afirma que o mercado já vê Jair Bolsonaro como opção para derrubar Lula; "Somos 145 milhões de eleitores e quem vai definir a eleição de 2018, segundo a Folha, são os 10 mil homens com contas bancarias com mais de 10 milhões de dólares?", pergunta Florestan

Jornalista critica a manchete principal da Folha de S.Paulo deste domingo 12, em que o jornal afirma que o mercado já vê Jair Bolsonaro como opção para derrubar Lula; "Somos 145 milhões de eleitores e quem vai definir a eleição de 2018, segundo a Folha, são os 10 mil homens com contas bancarias com mais de 10 milhões de dólares?", pergunta Florestan
Jornalista critica a manchete principal da Folha de S.Paulo deste domingo 12, em que o jornal afirma que o mercado já vê Jair Bolsonaro como opção para derrubar Lula; "Somos 145 milhões de eleitores e quem vai definir a eleição de 2018, segundo a Folha, são os 10 mil homens com contas bancarias com mais de 10 milhões de dólares?", pergunta Florestan (Foto: Gisele Federicce)


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Por Florestan Fernandes Júnior, em seu Facebook

O bolso e a bolsa de apostas no Bolsonaro

Será que fizeram a reforma política e nós não ficamos sabendo? É que a Folha de São Paulo de domingo publicou em sua primeira página que o "mercado" já vê Bolsonaro como opção eficaz para barrar um terceiro mandato de Lula. Somos 145 milhões de eleitores e quem vai definir a eleição de 2018, segundo a Folha, são os 10 mil homens com contas bancarias com mais de 10 milhões de dólares? Melhor seria dizer que os mais ricos do Brasil estão dispostos a gastar fortunas para eleger seu pau mandado e que parte da nossa mídia vai trabalhar diuturnamente para alcançar esse objetivo. Essa história nós conhecemos bem, o capital sempre teve seus candidatos preferidos e, desde a redemocratização do país, só perdeu sua aposta na eleição de Dilma em 2014. Teve que recuperar o poder provocando um terceiro turno, realizado em 2016, no "colégio eleitoral" num verdadeiro golpe de Estado "legalizado". Ameaçar o país com a eleição de um direitista radical serve também para tentar empurrar a esquerda para o centro do tabuleiro e forçar negociações que atendam os interesses do tal do mercado. Este momento de desemprego, ampliação da pobreza e redução de direitos tem levado o país a muitas incertezas. A violência aumentou vertiginosamente nos últimos 12 meses, a taxa de homicídios é de 29 para cada cem mil habitantes. Um índice maior que o de muitos países em guerra civil. O ex-ministro Rubens Ricupero tem alertado que estamos flertando com uma ruptura institucional. Não será fácil convencer os de baixo a votar num candidato que representa os de cima. As crises econômica, ética, política e jurídica abriram a porta para o surgimento de

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aventureiros descolados dos partidos e também dos grupos financeiros. O direitista falastrão é um deles. Há também as celebridades. Mas, por enquanto, nenhum deles fala ao coração dos de baixo como Lula. Para desespero principalmente dos senhores da comunicação, que pedem a condenação do ex-presidente à toque de caixa. Teve ate jornalista incentivando a morte dele. É, meu caro, chegamos ao fundo do poço. Realmente para as elites era melhor a época das ditaduras. Dava menos trabalho e as campanhas eram bem mais baratas, com candidatos únicos. Talvez Bolsonaro traga boas lembranças desses tempos tenebrosos para os que desprezam a democracia.

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